sábado, 2 de novembro de 2019

Carolina, Parabéns

 Pensei em te escrever um poema, ou vários, mas senti que eu teria de pensar mais do que me seria de fato agradável para te enviar um parabéns. Em vez disso resolvi juntar várias linhas e besuntá-las com uma nuvem de poética. Sabe, são tempos que passam rápido, ou ainda só passam sem passar de fato, nossa noção de tempo, antes, depois, agora, organização espacial, não sei dizer, me parece que de nada vale quando olhamos para o que está na nossa frente de fato. Como se o agora prendesse, sente? Escrevo como que para te mergulhar no carnaval sem som de minha mente que tanto te estima ou de meu coração que tanto te ama e sei que escrevo não por ênfase nas mensagens ou palavras mas por ser para você,
Carolina.
 Feliz aniversário, querida, e sente isso que eu te digo, sente mesmo. Sente como quem sabe do que eu estou falando, sem o desconfiar que nos é tão incrustado. Sente como quem deixa, porque você está mais que de parabéns, sente porque é meu e eu te dou isso que sinto como quem tem infinito para dar e te gosta feliz. Do meu apreço por o que é você, das coisas que sei e das coisas que não sei, já te cantei melodias do imo peito, e nada mais no agora me falta cantar sobre os galhos da árvore que fizeste crescer em mim, tão linda e tão eu. Obrigado, Carolina, eterna gratidão a ti pela beleza dum brio semelhante apenas ao dos deuses eternos. Eterna gratidão àquilo que cria o mundo, pela condescendente coincidência de nossas concomitâncias no agora. Uma zelosa honra. Se te dou um presente, não são as palavras, como disse, mas o momento que agora te resguardo, e que enquanto escrevo em minha frente não há computador e em minha volta não há um quarto, senão uma imersão submersa onde não há necessidade de respirar pois que de ti me encho os pulmões e que desfecho não me preocupa ser buscado onde a noção de tudo que agora me é, é você, Carolina. Desligo-me do agora, no agora, para deixar de estar e ser aqui, e ser e estar contigo, em ti, no teu mais fundo teu, donde com amor fico aquentado a te lembrar, se me permite, da importância e do valor e do impacto glorioso que os teus fortes pés e os teus fulgentes olhares fazem no mundo. Você é divina, Carolina, e nas suas bruxarias transluz natureza. Evoco os cânticos e odes e epopeias do submundo, abraço a morte que me um dia há de visitar, e percebo que na última luz dos meus olhos vejo um brilho que, disforme, aprendi a ver te olhando.
 Parabéns, Carolina, por ser quem és, e não te tomes por algo que não és, pois que no meu viver aprendi a ver dizeres que a boca não diz, e em ti leio consciência, e sei que nas suas ondas pensas tu em formas de pensar que a humanidade não entenderia uma fração de mol, enquanto que para ti é apenas doce pensar, doce sentir, combustível infinito de suas artes.
 E acredito, mesmo, que tua luz é forte, e que tens aí dentro um sol uma estrela uma galáxia uma coisa grande que não se vê. Sei, mesmo, porque vi lâmpadas e lamparinas e fósforos e isqueiros e fogo fátuo em cada esquina e em cada olho, e não brinco quanto às tuas qualidades de eterna, porque, ouve o que digo, parabéns Carolina, você merece cada parabéns que os estalidos das ruas e os pássaros podem te dar, quanto mais dos que te rodeiam.
 Cobre o amor que te é para ser dado pois que tu amas de torneira aberta e até nas tuas travas vejo o amor que quer sair e, sinceramente, pouco me importam as travas, que seu amor é infinito e infinito -1 ainda é infinito então literalmente não importa. Cobre porque merece e cobre também porque é seu, o amor é seu porque nós, se não nascemos para amar, não nascemos para nada, porque a vida passa rápida quando não se ama.
Eu te amo, Carolina.
Feliz aniversário.
 Evita esse tabaco, garota. Uma diminuída no ritmo cai bem e faz toda diferença na rotina e na alma.
 Sempre, sempre mesmo, beba água. Dos amores da sua vida, esse é o único que não vai te decepcionar nunca. Agradeça com veemência.
 É nós. Agradeço pelo seu tempo e curte muito a sua data!!

Um doce beijo,
Nuno Torres Medeiros

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

my clippings 14 de setembro - 16 de outubro, logo antes da trip

Fazendeiro do Ar (Andrade, Carlos Drummond de)
- Seu destaque na página 3 | posição 40-48 | Adicionado: sábado, 14 de setembro de 2019 23:22:16

Poesia, marulho e náusea, poesia, canção suicida, poesia, que recomeças de outro mundo, noutra vida. Deixaste-nos mais famintos, poesia, comida estranha, se nenhum pão te equivale: a mosca deglute a aranha. Poesia, sobre os princípios e os vagos dons do universo: em teu regaço incestuoso, o belo câncer do verso. Azul, em chama, o telúrio reintegra a essência do poeta, e o que é perdido se salva… Poesia, morte secreta.
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Fazendeiro do Ar (Andrade, Carlos Drummond de)
- Sua nota na página 4 | posição 48 | Adicionado: sábado, 14 de setembro de 2019 23:22:30

Mari
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Confieso que he vivido (Pablo Neruda)
- Seu destaque na página 44 | posição 665-666 | Adicionado: segunda-feira, 16 de setembro de 2019 01:06:13

para que comiera un sandwich en el nicho.
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A arte de ter razão (Arthur Schopenhauer)
- Seu destaque na página 7 | posição 100-106 | Adicionado: segunda-feira, 16 de setembro de 2019 09:31:32

A vaidade inata, que é particularmente irritável no que diz respeito às faculdades intelectuais, não pretende aceitar que nossa primeira afirmação se revele falsa e a do adversário tenha razão. Por conseguinte, teríamos simplesmente de nos esforçar por emitir juízos corretos: para tanto deveríamos pensar primeiro e falar depois. Mas, na maior parte dos homens, a vaidade inata é acompanhada de loquacidade e inata desonestidade. Falam antes de pensar, e, mesmo quando se dão conta de que sua afirmação é falsa e eles estão errados, é preciso parecer como se fosse o contrário. O interesse na verdade, que deveria ser, em geral, o único motivo na exposição da tese supostamente verdadeira, agora dá lugar, por completo, ao interesse da vaidade: o verdadeiro deve parecer falso e o falso, verdadeiro.
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Discurso da Servidão Voluntária ou O Contra Um (Etienne de La Boétie)
- Seu destaque na página 9 | posição 135-138 | Adicionado: segunda-feira, 16 de setembro de 2019 22:01:23

Em suma, se todas as coisas que têm sentimento assim que os têm, sentem o mal da sujeição e procuram a liberdade; se os bichos sempre feitos para o serviço do homem só conseguem acostumar-se a servir com o protesto de um desejo contrário - que mau encontro foi esse que pôde desnaturar tanto o homem, o único nascido de verdade para viver francamente, e fazê-lo perder a lembrança de seu primeiro ser e o desejo de retomá-lo?
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Discurso da Servidão Voluntária ou O Contra Um (Etienne de La Boétie)
- Seu destaque na página 8 | posição 111-117 | Adicionado: segunda-feira, 16 de setembro de 2019 22:03:45

E de resto, se essa boa mãe deu-nos a todos a terra inteira por morada, alojou-nos todos na mesma casa, figurou-nos todos no mesmo padrão, para que cada um pudesse mirar-se e quase reconhecer um no outro; se ela nos deu a todos o grande presente da voz e da fala para convivermos e confraternizarmos mais, e fazermos, através da declaração comum e mútua de nossos pensamentos, uma comunhão de nossas vontades; e se tratou por todas os meios de estreitar e apertar tão forte o n ó de nossa aliança e sociedade; se em todas as coisas mostrou que ela não queria tanto fazer-nos todos unidos mas todos uns - não se deve duvidar de que sejamos todos naturalmente livres, pois somos todos companheiros; é não pode cair no entendimento de ninguém que a natureza tenha posto algum em servidão, tendo-nos posto todos em companhia.
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Discurso da Servidão Voluntária ou O Contra Um (Etienne de La Boétie)
- Seu destaque na página 8 | posição 117-120 | Adicionado: segunda-feira, 16 de setembro de 2019 22:04:31

Mas em verdade de nada serve debater se a liberdade é natural, pois não se pode manter alguém em servidão sem malfazer e nada há mais contrário ao _ mundo que a injúria, posto que a natureza é completamente razoável. Portanto, resta à liberdade ser natural do mesmo modo que, no meu entender, nascemos não somente de posse de nossa franquia mas também com afeição para defendê-la.
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Discurso da Servidão Voluntária ou O Contra Um (Etienne de La Boétie)
- Seu destaque na página 8 | posição 117-120 | Adicionado: segunda-feira, 16 de setembro de 2019 22:04:35

Mas em verdade de nada serve debater se a liberdade é natural, pois não se pode manter alguém em servidão sem malfazer e nada há mais contrário ao _ mundo que a injúria, posto que a natureza é completamente razoável. Portanto, resta à liberdade ser natural do mesmo modo que, no meu entender, nascemos não somente de posse de nossa franquia mas também com afeição para defendê-la.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 18 | posição 265-265 | Adicionado: terça-feira, 17 de setembro de 2019 18:02:07

– Cela va mieux, n’est-ce pas, docteur ? dit sa femme.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 18 | posição 267-269 | Adicionado: terça-feira, 17 de setembro de 2019 18:27:47

Les ganglions du cou étaient douloureux au toucher et le concierge semblait vouloir tenir sa tête le plus possible éloignée du corps. Sa femme était assise au pied du lit, les mains sur la couverture, tenant doucement les pieds du malade.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 18 | posição 266-269 | Adicionado: terça-feira, 17 de setembro de 2019 18:28:52

Mais à midi, la fièvre était montée d’un seul coup à quarante degrés, le malade délirait sans arrêt et les vomissements avaient repris. Les ganglions du cou étaient douloureux au toucher et le concierge semblait vouloir tenir sa tête le plus possible éloignée du corps. Sa femme était assise au pied du lit, les mains sur la couverture, tenant doucement les pieds du malade. Elle regardait Rieux.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 18 | posição 267-269 | Adicionado: terça-feira, 17 de setembro de 2019 18:29:10

étaient douloureux au toucher et le concierge semblait vouloir tenir sa tête le plus possible éloignée du corps. Sa femme était assise au pied du lit, les mains sur la couverture, tenant doucement les pieds du malade. Elle regardait Rieux.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 17 | posição 260-269 | Adicionado: terça-feira, 17 de setembro de 2019 18:30:56

Le lendemain, 30 avril, une brise déjà tiède soufflait dans un ciel bleu et humide. Elle apportait une odeur de fleurs qui venait des banlieues les plus lointaines. Les bruits du matin dans les rues semblaient plus vifs, plus joyeux qu’à l’ordinaire. Dans toute notre petite ville, débarrassée de la sourde appréhension où elle avait vécu pendant la semaine, ce jour-là était celui du renouveau. Rieux lui-même, rassuré par une lettre de sa femme, descendit chez le concierge avec légèreté. Et en effet, au matin, la fièvre était tombée à trente-huit degrés. Affaibli, le malade souriait dans son lit. – Cela va mieux, n’est-ce pas, docteur ? dit sa femme. – Attendons encore. Mais à midi, la fièvre était montée d’un seul coup à quarante degrés, le malade délirait sans arrêt et les vomissements avaient repris. Les ganglions du cou étaient douloureux au toucher et le concierge semblait vouloir tenir sa tête le plus possible éloignée du corps. Sa femme était assise au pied du lit, les mains sur la couverture, tenant doucement les pieds du malade. Elle regardait Rieux.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 18 | posição 266-269 | Adicionado: terça-feira, 17 de setembro de 2019 18:31:23

Mais à midi, la fièvre était montée d’un seul coup à quarante degrés, le malade délirait sans arrêt et les vomissements avaient repris. Les ganglions du cou étaient douloureux au toucher et le concierge semblait vouloir tenir sa tête le plus possible éloignée du corps. Sa femme était assise au pied du lit, les mains sur la couverture, tenant doucement les pieds du malade. Elle regardait Rieux.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 18 | posição 273-273 | Adicionado: terça-feira, 17 de setembro de 2019 22:19:43

tassé au fond de sa couchette comme s’il eût voulu la refermer
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Confieso que he vivido (Pablo Neruda)
- Seu destaque na página 48 | posição 726-728 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 09:48:32

Apollinaire dijo: «Piedad para nosotros los que exploramos las fronteras de lo irreal», cito de memoria, pensando en los cuentos que acabo de contar, cuentos de gente no por extravagante menos querida, no por incomprensible menos valerosa.
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Confieso que he vivido (Pablo Neruda)
- Sua nota na página 48 | posição 728 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 09:48:40

Pesquisa
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Estrela da manhã (Manuel Bandeira)
- Seu marcador na página 7 | posição 107 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 14:34:23


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Poemas de Álvaro Campos (Fernando Pessoa)
- Seu destaque na página 34 | posição 507-510 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 17:12:53

Que teorias há para quem sente O cérebro quebrar-se, como um dente Dum pente de mendigo que emigrou? Fecho o caderno dos apontamentos E faço riscos moles e cinzentos Nas costas do envelope do que sou…
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Poemas de Álvaro Campos (Fernando Pessoa)
- Sua nota na página 34 | posição 510 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 17:13:08

Brabo
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Poemas de Álvaro Campos (Fernando Pessoa)
- Seu destaque na página 35 | posição 522-522 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 17:20:20

Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim.
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Estrela da manhã (Manuel Bandeira)
- Seu marcador na página 7 | posição 107 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 17:35:44


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Bíblia Sagrada (João Ferreira de Almeida)
- Seu destaque na página 3052 | posição 46793-46796 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 17:46:02

9Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 10Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
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Bíblia Sagrada (João Ferreira de Almeida)
- Sua nota na página 3052 | posição 46796 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 17:46:10

Brabo
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Bíblia Sagrada (João Ferreira de Almeida)
- Seu destaque na página 3053 | posição 46801-46802 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 17:48:26

4Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.
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Bíblia Sagrada (João Ferreira de Almeida)
- Seu destaque na página 3053 | posição 46808-46809 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 18:05:59

9Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.
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Bíblia Sagrada (João Ferreira de Almeida)
- Seu destaque na página 3054 | posição 46824-46825 | Adicionado: quarta-feira, 18 de setembro de 2019 18:12:12

20E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas.
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 282 | posição 4321-4322 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 10:16:31

People with no morals often considered themselves more free, but mostly they lacked the ability to feel or to love.
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Dicionário Porto Editora de Inglês-Português para o Brasil / Porto Editora English-Brazilian Portuguese Dictionary (Porto Editora)
- Seu destaque ou posição 75695-75697 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 11:03:41

prancing [ˈprαːnsɪŋ]  ■ adj.1 que faz cabriolas; que se empina2 que se pavoneia ao andar; que caminha com grande arrogância  ■ s.1 ação de se empinar ou caracolear2 maneira arrogante de caminhar
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Dicionário Porto Editora de Inglês-Português para o Brasil / Porto Editora English-Brazilian Portuguese Dictionary (Porto Editora)
- Sua nota ou posição 75697 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 11:03:49

Flerte
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 293 | posição 4487-4488 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 11:23:33

sucked at the nipple. No response. I sloshed
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 294 | posição 4498-4501 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 11:27:50

“I like them.” I grabbed her by the hair and pressed her head up against the wall and sucked at her teeth while looking into her eyes. Then I began playing with her cunt. She was a long time coming around. Then she began to open and I stuck my finger in. I got to the clit and worked it. Then I mounted. My cock was inside of her. We were
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 296 | posição 4524-4525 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 11:51:19

lumber tied to the roof of the van. It
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 312 | posição 4771-4776 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 13:12:23

Dinky was inspired. He had a lot of volume. His feet twisted and curled in his tennis shoes and he let us hear it. Actually, it was him somehow. He didn’t look right and he didn’t quite sound right, yet the product itself was much better than what one usually heard. It made me feel low that I couldn’t praise him without reservation. But then if you lied to a man about his talent just because he was sitting across from you, that was the most unforgivable lie of them all, because that was telling him to go on, to continue which was the worst way for a man without real talent to waste his life, finally. But many people did just that, friends and relatives mostly.
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Women (Charles Bukowski)
- Sua nota na página 312 | posição 4775 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 13:12:54

brabo
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Women (Charles Bukowski)
- Sua nota na página 312 | posição 4775 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 13:13:18

Puta que o pariu
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Women (Charles Bukowski)
- Sua nota na página 312 | posição 4775 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 13:14:42

Puta que o pariu
brabo
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 322 | posição 4925-4926 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 13:57:38

like going back,” I told Tanya. She took a pull from her pint.
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 324 | posição 4965-4965 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 14:10:18

jock stroking away the whitewach with his whip. Zag-Zig broke poorly and then loped.
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 328 | posição 5026-5027 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 14:22:20

I could feel them wondering why I wasn’t dead yet and it made me uncomfortable.
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 329 | posição 5044-5044 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 14:24:42

“I think I need a drink.” “Almost everybody does only they don’t know it.”
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Women (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 331 | posição 5072-5073 | Adicionado: quinta-feira, 19 de setembro de 2019 14:27:35

A man could lose his identity fucking around too much.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 88 | posição 1347-1350 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 08:06:45

Nasce, então, uma demanda incessante a partir da família: de que a ajudem a resolver tais interferências infelizes entre a sexualidade e a aliança; e, presa na cilada desse dispositivo de sexualidade que sobre ela investira de fora, que contribuíra para solidificá-la em sua forma moderna, lança aos médicos, aos pedagogos, aos psiquiatras, aos padres e também aos pastores, a todos os "especialistas" possíveis, o longo lamento de seu sofrimento sexual.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 90 | posição 1373-1401 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:10:32

A garantia de que lá, no fundo da sexualidade de cada um, ia-se encontrar a relação pais-filhos permitia, no momento em que tudo parecia indicar o processo inverso, manter a fixação do dispositivo de sexualidade sobre o sistema da aliança. Não havia riscos de que a sexualidade aparecesse, por natureza, estranha à lei: ela só se constituía pela lei. Pais, não receeis levar vossos filhos à análise: ela lhes ensinará que, de toda maneira, é a vós que eles amam. Filhos, não vos queixeis demais de não serdes órfãos e de sempre encontrardes no fundo de vós mesmos, vossa Mãe-Objeto ou o signo soberano do Pai: é através deles que tendes acesso ao desejo. Daí, após tantas reticências, o imenso consumo de análise nas sociedades em que o dispositivo de aliança e o sistema da família tinham necessidade de reforço. Pois é esse um dos pontos fundamentais em toda essa história do dispositivo de sexualidade: com a tecnologia da "carne" no cristianismo clássico, ele nasceu apoiando-se nos sistemas de aliança e nas regras que o regem; mas, hoje, desempenha um papel inverso; é ele quem tende a sustentar o velho dispositivo de aliança. Da direção espiritual à psicanálise, os dispositivos de aliança e de sexualidade, girando um em torno do outro, de acordo com um lento processo que tem hoje mais de três séculos, inverteram suas posições; na pastoral cristã, a lei da aliança codificava essa carne que se estava começando a descobrir e impunha-lhe, antes de mais nada, uma armação ainda jurídica; com a psicanálise, é a sexualidade que dá corpo e vida às regras da aliança, saturando-as de desejo. O domínio a ser analisado nos diferentes estudos que se seguirão ao presente volume é, portanto, este dispositivo da sexualidade: sua formação, a partir da carne, dentro da concepção cristã; seu desenvolvimento através das quatro grandes estratégias que se desdobraram no século XIX: sexualização da criança, histerização da mulher, especificação dos perversos, regulação das populações; estratégias que passam todas por uma família que precisa ser encarada, não como poder de interdição e sim como fator capital de sexualização. O primeiro momento corresponderia à necessidade de constituir uma "força de trabalho" (portanto, nada de "despesa" inútil, nada de energia desperdiçada, todas as forças concentradas no trabalho) e garantir sua reprodução (conjugalidade, fabricação regulada de filhos). O segundo momento corresponderia a essa época do Spätkapitalismus {}, em que a exploração do trabalho assalariado já não exige as mesmas constrições violentas e físicas do século XIX, e em que a política do corpo já não requer a supressão do sexo ou sua limitação ao papel exclusivo de reprodução; passa, ao contrário, por sua canalização múltipla dentro dos circuitos controlados da economia: uma dessublimação super-repressiva, como se diz. Ora, se a política do sexo não põe em ação, fundamentalmente, a lei da interdição mas todo um aparato técnico, e tratando-se antes da produção da "sexualidade" do que da repressão do sexo, é preciso abandonar este tipo de demarcação, defasar a análise com relação ao problema da "força de trabalho" e abandonar, sem dúvida, o energismo difuso que sustém o tema de uma sexualidade reprimida por motivos econômicos. 4. periodização A história da sexualidade, se quisermos centrá-la nos mecanismos de repressão, supõe duas rupturas. Uma no decorrer do século XVII: nascimento das grandes proibições, valorização exclusiva da sexualidade adulta e matrimonial, imperativos de decência,
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 90 | posição 1373-1378 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:10:48

A garantia de que lá, no fundo da sexualidade de cada um, ia-se encontrar a relação pais-filhos permitia, no momento em que tudo parecia indicar o processo inverso, manter a fixação do dispositivo de sexualidade sobre o sistema da aliança. Não havia riscos de que a sexualidade aparecesse, por natureza, estranha à lei: ela só se constituía pela lei. Pais, não receeis levar vossos filhos à análise: ela lhes ensinará que, de toda maneira, é a vós que eles amam. Filhos, não vos queixeis demais de não serdes órfãos e de sempre encontrardes no fundo de vós mesmos, vossa Mãe-Objeto ou o signo soberano do Pai: é através deles que tendes acesso ao desejo.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 91 | posição 1381-1384 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:19:52

Da direção espiritual à psicanálise, os dispositivos de aliança e de sexualidade, girando um em torno do outro, de acordo com um lento processo que tem hoje mais de três séculos, inverteram suas posições; na pastoral cristã, a lei da aliança codificava essa carne que se estava começando a descobrir e impunha-lhe, antes de mais nada, uma armação ainda jurídica; com a psicanálise, é a sexualidade que dá corpo e vida às regras da aliança, saturando-as de desejo.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 91 | posição 1386-1387 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:20:36

grandes estratégias que se desdobraram no século XIX: sexualização da criança, histerização da mulher, especificação dos perversos, regulação das populações;
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 91 | posição 1391-1394 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:23:32

Spätkapitalismus {}, em que a exploração do trabalho assalariado já não exige as mesmas constrições violentas e físicas do século XIX, e em que a política do corpo já não requer a supressão do sexo ou sua limitação ao papel exclusivo de reprodução; passa, ao contrário, por sua canalização múltipla dentro dos circuitos controlados da economia: uma dessublimação super-repressiva, como se diz.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 91 | posição 1394 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:23:59

Alternatividade normativa
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 93 | posição 1416-1418 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:39:52

Ora, nesse mesmo fim do século XVIII, e por motivos que será preciso determinar, nascia uma tecnologia do sexo inteiramente nova; nova, porque sem ser realmente independente da temática do pecado escapava, basicamente, à instituição eclesiástica.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 93 | posição 1422-1422 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 11:41:20

"doenças dos nervos"
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 94 | posição 1431-1433 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 12:40:19

Continuidade visível, mas que não impede uma transformação capital: a tecnologia do sexo, basicamente, vai-se ordenar a partir desse momento, em torno da instituição médica, da exigência de normalidade e, ao invés da questão da morte e do castigo eterno, do problema da vida e da doença. A "carne" é transferida para o organismo.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 94 | posição 1437-1439 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 12:51:21

em suma, a abertura desse grande domínio médico-psicológico das "perversões", que viria tomar o lugar das velhas categorias morais da devassidão e da extravagância.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 94 | posição 1440-1442 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 12:53:45

em posição de "responsabilidade biológica" com relação à espécie; não somente o sexo podia ser afetado por suas próprias doenças mas, se não fosse controlado, podia transmitir doenças ou criá-las para as gerações futuras; ele aparecia, assim, na origem de todo um capital patológico da espécie. Daí o projeto médico, mas também político, de organizar uma gestão estatal dos casamentos, nascimentos e sobrevivências;
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 96 | posição 1462-1464 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 17:23:35

Houve, ao contrário, inventividade perpétua, produção constante de métodos e procedimentos, com dois momentos particularmente fecundos nessa história prolífica: por volta da metade do século XVI, o desenvolvimento dos processos de direção e de exame de consciência; no início do século XIX, o aparecimento das tecnologias médicas do sexo.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 97 | posição 1479-1480 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 17:38:49

A burguesia começou considerando que o seu próprio sexo era coisa importante, frágil tesouro, segredo de conhecimento indispensável.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 97 | posição 1480-1483 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 17:39:35

A personagem investida em primeiro lugar pelo dispositivo de sexualidade, uma das primeiras a ser "sexualizada" foi, não devemos esquecer, a mulher "ociosa", nos limites do "mundo" — onde sempre deveria figurar como valor — e da família, onde lhe atribuíam novo rol de obrigações conjugais e parentais: assim apareceu a mulher "nervosa", sofrendo de "vapores"; foi aí que a histerização da mulher encontrou seu ponto de fixação.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 97 | posição 1484-1487 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 17:41:21

desde o fim do século XVIII até o fim do século XIX, não era o filho do povo, o futuro operário a quem se deveria ensinar as disciplinas do corpo; era o colegial, a criança cercada de serviçais, de preceptores e de governantas, e que corria o risco de comprometer menos uma força física do que capacidades intelectuais, que tinha o dever moral e a obrigação de conservar, para sua família e sua classe, uma descendência sadia.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 98 | posição 1493-1495 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 17:52:46

Em seguida, quando a organização da família "canônica" pareceu, em tomo da década de 1830, ser um instrumento de controle político e de regulação econômica indispensável para a sujeição do proletariado urbano: grande campanha para a "moralização das classes pobres".
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 98 | posição 1493-1495 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 17:53:26

outros. Em seguida, quando a organização da família "canônica" pareceu, em tomo da década de 1830, ser um instrumento de controle político e de regulação econômica indispensável para a sujeição do proletariado urbano: grande campanha para a "moralização das classes pobres".
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 99 | posição 1507-1508 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:06:01

Parece, justamente, não se tratar, aqui, de um ascetismo e, em todo caso, de uma renúncia ao prazer ou de uma desqualificação da carne; ao contrário, de uma intensificação do corpo, de uma problematização da saúde e de suas condições de funcionamento;
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 99 | posição 1511-1513 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:07:55

Deve-se suspeitar, nesse caso, de auto-afirmação de uma classe e não de sujeição de outra: uma defesa, uma proteção, um reforço, uma exaltação, que mais tarde foram estendidos — à custa de diferentes transformações — aos outros, como meio de controle econômico e de sujeição política.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 100 | posição 1522-1523 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:32:00

ela cultivou com uma mistura de terror, curiosidade, deleitação e febre.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 100 | posição 1531-1533 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:36:53

pois a aristocracia nobiliárquica também afirmara a especificidade do seu próprio corpo. Mas era na forma do sangue, isto é, da antiguidade das ascendências e do valor das alianças; a burguesia, para assumir um corpo, olhou, ao contrário, para o lado de sua descendência e da saúde do seu organismo. O "sangue" da burguesia foi o seu próprio sexo.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 100 | posição 1533 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:37:04

Flerte
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 101 | posição 1540-1543 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:44:29

A valorização do corpo deve mesmo ser ligada ao processo de crescimento e de estabelecimento da hegemonia burguesa; mas não devido ao valor mercantil alcançado pela força de trabalho, e sim pelo que podia representar política, econômica e, também, historicamente, para o presente e para o futuro da burguesia, a "cultura" do seu próprio corpo. Sua dominação dependia dele em parte; não era apenas uma questão de economia ou de ideologia, era também uma questão "física",
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 135 | posição 2064-2065 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:53:08

Cf. K. Marx, Le Capital, LI, cap. x, 2, "Le capital affamé de surtravail".
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 135 | posição 2065 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:53:30

O capital
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 102 | posição 1555-1557 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:53:42

As condições de vida impostas ao proletariado, sobretudo na primeira metade do século XIX, mostram que se estava longe de tomar em consideração o seu corpo e o seu sexo: {22}
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 102 | posição 1557 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 18:53:55

O capital
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 104 | posição 1582-1583 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:03:35

A teoria da repressão, que pouco a pouco vai recobrir todo o dispositivo de sexualidade, dando-lhe o sentido de uma interdição generalizada, tem aí seu ponto de origem.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 104 | posição 1585-1586 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:04:17

não somente é preciso submeter a vossa sexualidade à lei, mas não tereis uma sexualidade a não ser por vos submeterdes à lei.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 104 | posição 1593-1593 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:08:16

Doravante, a diferenciação social não se afirmará pela qualidade "sexual" do corpo, mas pela intensidade da sua repressão.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 104 | posição 1593 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:08:38

"repressão"
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 104 | posição 1594-1596 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:12:50

A psicanálise vem inserir-se nesse ponto: teoria da mútua implicação essencial entre a lei e o desejo e, ao mesmo tempo, técnica para eliminar os efeitos da interdição lá onde o seu rigor a torne patogênica. Em sua emergência histórica, a psicanálise não pode se dissociar da generalização do dispositivo de sexualidade e dos mecanismos secundários de diferenciação que nele se produziram.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 105 | posição 1596 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:12:57

Brabo
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 106 | posição 1617-1619 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:21:48

Em torno dela, a grande exigência da confissão que se formara há tanto tempo, assume novo sentido, o de uma injunção para eliminar o recalque. A tarefa da verdade vincula-se, agora, ao questionamento da interdição.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 135 | posição 2066-2066 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:28:21

Pufendorf, Le Droit de la nature
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 135 | posição 2066-2070 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:28:29

Pufendorf, Le Droit de la nature (trad. de 1734), p. 455. {24} "Da mesma forma que um corpo composto pode ter as qualidades que não se encontram em nenhum dos corpos simples da mistura de que é formado, assim também um corpo moral pode ter, em virtude da própria união das pessoas que o compõem, certos direitos que não revestiam formalmente nenhum dos particulares e que cabe somente aos mentores exercê-los". Pufendorf, loc. cif., p. 451.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 135 | posição 2070 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:28:37

Pesquisa
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 108 | posição 1647-1648 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:31:27

O poder era, antes de tudo, nesse tipo de sociedade, direito de apreensão das coisas, do tempo, dos corpos e, finalmente, da vida; culminava com o privilégio de se apoderar da vida para suprimi-la.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 109 | posição 1664-1665 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:39:51

poder matar para poder viver, que sustentava a tática dos combates, tornou-se princípio
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 109 | posição 1664-1665 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:40:25

O princípio: poder matar para poder viver, que sustentava a tática dos combates, tornou-se princípio de estratégia entre Estados;
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 109 | posição 1669-1672 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:42:01

Os que morrem no cadafalso se tornaram cada vez mais raros, ao contrário dos que morrem nas guerras. Mas foi pelas mesmas razões que estes se tornaram mais numerosos e aqueles mais raros. A partir do momento em que o poder assumiu a função de gerir a vida, já não é o surgimento de sentimentos humanitários, mas a razão de ser do poder e a lógica de seu exercício que tornaram cada vez mais difícil a aplicação da pena de morte.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 110 | posição 1672 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:42:18

Puta que o pariu
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 110 | posição 1675-1676 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:45:17

São mortos legitimamente aqueles que constituem uma espécie de perigo biológico para os outros.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 110 | posição 1675-1676 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:45:23

São mortos legitimamente aqueles que constituem uma espécie de perigo biológico para os outros.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 110 | posição 1676 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:45:33

Periferia
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 110 | posição 1676-1677 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:45:44

Pode-se dizer que o velho direito de causar a morte ou deixar viver foi substituído por um poder de causar a vida ou devolver à morte.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 110 | posição 1686-1687 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:54:23

Essa obstinação em morrer, tão estranha e contudo tão regular, tão constante em suas manifestações, portanto tampouco explicável pelas particularidades
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 110 | posição 1685-1688 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 19:54:31

ele fazia aparecer, nas fronteiras e nos interstícios do poder exercido sobre a vida, o direito individual e privado de morrer. Essa obstinação em morrer, tão estranha e contudo tão regular, tão constante em suas manifestações, portanto tampouco explicável pelas particularidades ou acidentes individuais, foi uma das primeiras surpresas de uma sociedade em que o poder político acabava de assumir a tarefa de gerir a vida.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 112 | posição 1712-1714 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 22:40:46

Este bio-poder, sem a menor dúvida, foi elemento indispensável ao desenvolvimento do capitalismo, que só pôde ser garantido à custa da inserção controlada dos corpos no aparelho de produção e por meio de um ajustamento dos fenômenos de população aos processos econômicos.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 67055-67057 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 22:55:02

fustigar v. tr. 1. Bater com vara flexível, com chibata, junco, etc. 2. Chicotear. 3. Bater. 4. Castigar. 5.  [Figurado] Estimular, ativar. 6. Varejar.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 67057 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 22:55:11

Flerte
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 114 | posição 1739-1741 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:01:04

Pela primeira vez na história, sem dúvida, o biológico reflete-se no político; o fato de viver não é mais esse sustentáculo inacessível que só emerge de tempos em tempos, no acaso da morte e de sua fatalidade: cai, em parte, no campo de controle do saber e de intervenção do poder.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 114 | posição 1745-1750 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:05:13

não é que a vida tenha sido exaustivamente integrada em técnicas que a dominem e gerem; ela lhes escapa continuamente. Fora do mundo ocidental, a fome existe numa escala maior do que nunca; e os riscos biológicos sofridos pela espécie são talvez maiores e, em todo caso, mais graves do que antes do nascimento da microbiologia. Mas, o que se poderia chamar de "limiar de modernidade biológica" de uma sociedade se situa no momento em que a espécie entra como algo em jogo em suas próprias estratégias políticas. O homem, durante milênios, permaneceu o que era para Aristóteles: um animal vivo e, além disso, capaz de existência política; o homem moderno é um animal, em cuja política, sua vida de ser vivo está em questão.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 115 | posição 1760-1761 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:09:41

Já não se trata de pôr a morte em ação no campo da soberania, mas de distribuir os vivos em um domínio de valor e utilidade.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 115 | posição 1764-1765 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:12:05

mas que a lei funciona cada vez mais como norma, e que a instituição judiciária se integra cada vez mais num contínuo de aparelhos (médicos, administrativos etc.) cujas funções são sobretudo reguladoras.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 116 | posição 1765-1766 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:12:13

Uma sociedade normalizadora é o efeito histórico de uma tecnologia de poder centrada na vida.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 116 | posição 1771-1776 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:14:35

Já não se espera mais o imperador dos pobres, nem o reino dos últimos dias, nem mesmo o restabelecimento apenas das justiças que se crêem ancestrais; o que é reivindicado e serve de objetivo é a vida, entendida como as necessidades fundamentais, a essência concreta do homem, a realização de suas virtualidades, a plenitude do possível. Pouco importa que se trate ou não de utopia; temos aí um processo bem real de luta; a vida como objeto político foi de algum modo tomada ao pé da letra e voltada contra o sistema que tentava controlá-la. Foi a vida, muito mais do que o direito, que se tornou o objeto das lutas políticas, ainda que estas últimas se formulem através de afirmações de direito.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 142297-142303 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:25:33

verdugo s. m. 1. Pessoa que inflige castigos físicos ou pena de morte. = ALGOZ, CARRASCO 2.  [Figurado] Pessoa cruel, que inflige maus tratos a alguém. = ALGOZ, CARRASCO 3. Pequena navalha, delgada e pontiaguda. 4. Parte saliente da chapa do trilho, nas rodas dos vagões, do lado interior da via, para evitar descarrilamentos. 5.  [Náutica] Friso saliente ao longo da borda do navio. 6.  [Portugal: Regionalismo] Qualquer objeto de grandes dimensões. 7.  [Antigo] Espada comprida e delgada, sem gume. 8.  [Brasil] Cobra muito grande.  ‣ Etimologia: espanhol verdugo
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 142303 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:25:45

Flerte
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 118 | posição 1803-1821 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:30:29

Por muito tempo, o sangue constituiu um elemento importante nos mecanismos do poder, em suas manifestações e rituais. Para uma sociedade onde predominam os sistemas de aliança, a forma política do soberano, a diferenciação em ordens e castas, o valor das linhagens, para uma sociedade em que a fome, as epidemias e as violências tornam a morte iminente, o sangue constitui um dos valores essenciais; seu preço se deve, ao mesmo tempo, a seu papel instrumental (poder derramar o sangue), a seu funcionamento na ordem dos signos (ter um certo sangue, ser do mesmo sangue, dispor-se a arriscar seu próprio sangue), a sua precariedade (fácil de derramar, sujeito a extinção, demasiadamente pronto a se misturar, suscetível de se corromper rapidamente). Sociedade de sangue — ia dizer de "sanguinidade": honra da guerra e medo das fomes, triunfos da morte, soberano com gládio, verdugo e suplícios, o poder falar através do sangue; este é uma realidade com função simbólica. Quanto a nós, estamos em uma sociedade do "sexo", ou melhor, "de sexualidade": os mecanismos do poder se dirigem ao corpo, à vida, ao que a faz proliferar, ao que reforça a espécie, seu vigor, sua capacidade de dominar, ou sua aptidão para ser utilizada. Saúde, progenitura, raça, futuro da espécie, vitalidade do corpo social, o poder fala da sexualidade e para a sexualidade; quanto a esta, não é marca ou símbolo, é objeto e alvo. O que determina sua importância não é tanto sua raridade ou precariedade quanto sua insistência, sua presença insidiosa, o fato de ser, em toda parte, provocada e temida. O poder a esboça, suscita-a e dela se serve como um sentido proliferante de que sempre é preciso retomar o controle para que não escape; ela é um efeito com valor de sentido. Não pretendo dizer que uma substituição do sangue pelo sexo resuma, por si só, as transformações que marcam o limiar de nossa modernidade. O que tento exprimir não é a alma de duas civilizações ou o princípio organizador de duas formas culturais; busco as razões pelas quais a sexualidade, longe de ter sido reprimida na sociedade contemporânea está, ao contrário, sendo permanentemente suscitada. Foram os novos procedimentos do poder, elaborados durante a época clássica e postos em ação no século XIX, que fizeram passar nossas sociedades de uma simbólica do sangue para uma analítica da sexualidade. Não é difícil ver que, se há algo que se encontra do lado da lei, da morte, da transgressão, do simbólico e da soberania, é o sangue; a sexualidade, quanto a ela, encontra-se do lado da norma, do saber, da vida, do sentido, das disciplinas e das regulamentacões.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 119 | posição 1821 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:30:43

Puta que o pariu
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 142632-142635 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:37:03

verter |ê| v. tr. 1. Deixar sair de si o líquido contido. 2. Derramar. 3.  [Por extensão] Espalhar, difundir. 4. Entornar. 5. Chover, jorrar. 6. Traduzir. 7. Manar. 8. Ressumar. 9. Rever. 10. Transbordar. 11. Ter verteduras. 12. Desaguar. 13. verter águas: urinar.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 142634 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:37:10

Flerte
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 120 | posição 1828-1831 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:39:30

O sexo em Sade é sem norma, sem regra intrínseca que possa ser formulada a partir de sua própria natureza; mas é submetido à lei ilimitada de um poder que, quanto a ele, só conhece sua própria lei; se lhe acontece de impor-se, por puro jogo, a ordem das progressões cuidadosamente disciplinadas em jornadas sucessivas, tal exercício o conduz a ser somente uma pura questão de soberania única e nua: direito ilimitado da monstruosidade onipotente. O sangue absorveu o sexo.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 120 | posição 1840-1845 | Adicionado: sexta-feira, 20 de setembro de 2019 23:54:47

Sem dúvida, o nazismo foi a combinação mais ingênua e mais ardilosa — ardilosa porque ingênua — dos fantasmas do sangue com os paroxismos de um poder disciplinar. Uma ordenação eugênica da sociedade, com o que ela podia comportar de extensão e intensificação dos micropoderes, a pretexto de uma estatização ilimitada, era acompanhada pela exaltação onírica de um sangue superior; esta implicava, ao mesmo tempo, o genocídio sistemático dos outros e o risco de expor a si mesmo a um sacrifício total. E a história quis que a política hitleriana do sexo tenha-se tornado uma prática irrisória, enquanto o mito do sangue se transformava no maior massacre de que os homens, por enquanto, tenham lembrança.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 126 | posição 1922-1923 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 01:24:09

o sexo nada mais é do que um ponto ideal tornado necessário pelo dispositivo de sexualidade e por seu funcionamento.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 126 | posição 1924-1926 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 01:24:33

O sexo é ao contrário, o elemento mais especulativo, mais ideal e igualmente mais interior, num dispositivo de sexualidade que o poder organiza em suas captações dos corpos, de sua materialidade, de suas forças, suas energias, suas sensações, seus prazeres.
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 126 | posição 1927-1930 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 01:25:12

É pelo sexo efetivamente, ponto imaginário fixado pelo dispositivo de sexualidade, que todos devem passar para ter acesso à sua própria inteligibilidade (já que ele é, ao mesmo tempo, o elemento oculto e o princípio produtor de sentido), à totalidade de seu corpo (pois ele é uma parte real e ameaçada deste corpo do qual constitui simbolicamente o todo), à sua identidade (já que ele alia a força de uma pulsão à singularidade de uma história).
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Sua nota na página 126 | posição 1930 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 01:25:22

Brabo
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História da sexualidade 1: a vontade de saber (Michel Foucault)
- Seu destaque na página 127 | posição 1936-1939 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 01:27:33

O pacto feustiano cuja tentação o dispositivo de sexualidade inscreveu em nós é, doravante, o seguinte: trocar a vida inteira pelo próprio sexo, pela verdade e a soberania do sexo. O sexo bem vale a morte. É nesse sentido, estritamente histórico, como se vê, que o sexo hoje em dia é de fato transpassado pelo instinto de morte. Quando o Ocidente, há muito tempo, descobriu o amor, concedeu-lhe bastante valor para tomar a morte aceitável; é o sexo quem aspira, hoje, a essa equivalência, a maior de todas.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 21650-21651 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 01:28:18

bramir v. intr. 1. Rugir. 2. Dar bramidos. 3. Soltar gritos de cólera. 4. Retumbar.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 21651 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 01:28:39

Flerte
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Confieso que he vivido (Pablo Neruda)
- Seu destaque na página 50 | posição 755-755 | Adicionado: sábado, 21 de setembro de 2019 22:16:59

Alvaro despidiendo chispas de energía,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 4 | posição 62-63 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 02:47:54

Pois bem, quando o ouvi subindo a escada, meu coração bateu mais forte, tal a tranquilidade que isso me proporcionava: o que se pode temer num mundo tão regular? Creio que estou curado.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 4 | posição 62-63 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 02:47:58

Pois bem, quando o ouvi subindo a escada, meu coração bateu mais forte, tal a tranquilidade que isso me proporcionava: o que se pode temer num mundo tão regular?
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 7 | posição 93-93 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:14:36

com uma paciência angelical que disfarçava uma ponta de irritação:
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 7 | posição 94-95 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:16:28

Sei que vai terminar dizendo que sim: seria melhor que aceitasse imediatamente.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 7 | posição 95 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:16:42

Gatilho
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 7 | posição 104-105 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:19:56

Mas sinto medo do que vai nascer, se apoderar de mim — e me arrastar para onde?
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 7 | posição 105 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:20:05

Sede
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 7 | posição 105-107 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:21:00

Despertarei, dentro de alguns meses, dentro de alguns anos, alquebrado, decepcionado, em meio a novas ruínas? Gostaria de me entender com exatidão antes que seja tarde demais.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 8 | posição 114-115 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:26:03

Sorrio ao vê-lo tão vivaz: nas horas em que seu estabelecimento se esvazia, também sua cabeça se esvazia.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 8 | posição 119-119 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:27:20

Também eles, para existir, precisam estar reunidos.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 9 | posição 130-131 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:30:59

A maioria das vezes, por não se ligarem a palavras, meus pensamentos permanecem nebulosos. Desenham formas vagas e agradáveis, submergem: esqueço-os imediatamente.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 9 | posição 134-134 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:31:27

Quando se vive sozinho, já nem mesmo se sabe o que é narrar: a verossimilhança desaparece junto com os amigos.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 9 | posição 136-136 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:40:44

Em compensação, não nos escapa tudo o que é inverossímil, tudo a que não dariam crédito nos cafés.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 10 | posição 139-140 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:42:15

Havia então ali, ao mesmo tempo, essa paliçada com forte cheiro de madeira molhada, esse lampião, essa mulherzinha loura nos braços de um negro, sob um céu flamejante.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 12 | posição 170-170 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:57:21

“Nada de novo.” Admira-me como se pode mentir racionalizando.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 12 | posição 170 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 08:57:35

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 12 | posição 172-172 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 09:00:50

pensei que já não era livre.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 14 | posição 212-214 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 13:37:45

Pergunto-me se algumas vezes não deseja se libertar dessa dor monótona, desses resmungos que recomeçam tão logo para de cantar, se não deseja sofrer muito de uma vez por todas, se afogar no desespero. Mas, de qualquer maneira, não poderia fazê-lo: está atada.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 19 | posição 279-279 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:34:14

Conservava os olhos semicerrados e mal se podia surpreender entre seus cílios a orla das pupilas cinzentas.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 19 | posição 286-287 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:42:55

‘É tão forte assim na arte da argumentação?’, perguntou o pároco. ‘É melhor do que os nossos!’ O sr. de Rollebon respondeu: ‘Não argumentei: fiz com que sentisse medo do inferno.’”
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 19 | posição 287 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:43:13

Puta que o pariu
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 20 | posição 293-294 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:47:02

Levanto-me. Mexo-me sob essa luz pálida; vejo-a mudar em minhas mãos e nas mangas de meu casaco: é indizível a que ponto ela me desagrada.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 20 | posição 300-303 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:48:59

assim, há uma coisa que dá prazer ver, por cima das regiões flácidas das faces, por cima da testa: é a bela chama vermelha que doura meu crânio: são meus cabelos. Isso sim é agradável de olhar. É uma cor nítida pelo menos: gosto de ser ruivo. Está aí no espelho, faz-se ver, brilha. Ainda tenho sorte: se minha testa carregasse uma dessas cabeleiras sem brilho que não conseguem se decidir entre o
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 20 | posição 300-303 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:49:06

Ainda assim, há uma coisa que dá prazer ver, por cima das regiões flácidas das faces, por cima da testa: é a bela chama vermelha que doura meu crânio: são meus cabelos. Isso sim é agradável de olhar. É uma cor nítida pelo menos: gosto de ser ruivo. Está aí no espelho, faz-se ver, brilha. Ainda tenho sorte: se minha testa carregasse uma dessas cabeleiras sem brilho que não conseguem se decidir entre o castanho e o louro, meu rosto se perderia no vago, me deixaria tonto.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 21 | posição 308-309 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:50:50

vejo uns leves estremecimentos, vejo uma carne insípida que se expande e palpita com abandono. Sobretudo os olhos, assim de muito perto, são horríveis.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 21 | posição 309 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 14:51:21

Álvaro De campos
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 21 | posição 319-319 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 15:14:19

O que me acorda bruscamente é o fato de perder o equilíbrio.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 22 | posição 326-329 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 15:18:59

Talvez seja impossível compreender o próprio rosto. Ou talvez seja porque sou um homem sozinho? As pessoas que vivem em sociedade aprenderam a se ver nos espelhos tal como aparecem a seus amigos. Não tenho amigos: será por isso que minha carne é tão nua? Dir-se-ia — sim, dir-se-ia a natureza sem os homens.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 24 | posição 355-355 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 18:07:41

Dá vontade de lhes dizer: “Façam isso, tornem-se roxos, e assunto encerrado.”
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 24 | posição 361-362 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 18:11:22

sou eu que estou nela.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 25 | posição 380-381 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 18:21:19

Acho que fazem isso simplesmente para encher o tempo. Mas o tempo é muito longo, não se deixa encher. Tudo o que mergulha nele amolece e se estira.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 27 | posição 402-403 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 22:35:08

volume, nem por sua tristeza; é porque ela é o acontecimento que tantas notas prepararam, de tão longe, morrendo para que ela possa nascer.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 27 | posição 402-403 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 22:35:14

Se amo essa bela voz é sobretudo por isso: não é nem por seu volume, nem por sua tristeza; é porque ela é o acontecimento que tantas notas prepararam, de tão longe, morrendo para que ela possa nascer.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 27 | posição 404-405 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 22:35:53

Como é estranho, como é comovente que essa rigidez seja tão frágil. Nada pode interrompê-la e tudo pode aniquilá-la.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 27 | posição 405 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 22:36:13

Puta que o pariu
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 30 | posição 446-446 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 22:57:34

rastos de fogo, faz um ruído semelhante ao de uma concha: é
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 32 | posição 482-484 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:13:58

Estou feliz: esse frio é tão puro, tão pura essa noite; não sou eu mesmo uma onda de ar gelado? Não ter sangue, nem linfa, nem carne. Correr por esse longo canal em direção àquele palor. Não ser senão frio.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 33 | posição 493-494 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:16:12

Seus olhos se fixam em mim, mas ela não parece me ver; dá a impressão de estar perdida em seu sofrimento.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 35 | posição 524-528 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:26:09

Olho de frente para Impétraz. Não tem olhos, quase nada de nariz, uma barba devastada por essa lepra estranha que às vezes ataca, como uma epidemia, todas as estátuas de um bairro. Ele está cumprimentando; em seu colete, no lugar do coração, há uma grande mancha verde-clara. Sua aparência é doentia e má. Não está vivo, mas também não está inanimado. Emana dele uma força surda; é como um vento que me empurra: Impétraz gostaria de me expulsar do pátio das Hipotecas. Não irei antes de ter terminado esse cachimbo.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 35 | posição 535-535 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:28:14

Preciso dizer alguma coisa.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 36 | posição 543-544 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:30:00

Por desencargo de consciência,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 36 | posição 551-552 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:32:27

Contemplo-o com uma espécie de admiração. Que vontade precisa ter para realizar lentamente, obstinadamente, um plano de envergadura tão vasta!
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 38 | posição 571-572 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:38:52

será que vejo seus gestos ou os prevejo?
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 38 | posição 572 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:39:13

Blog, post feito
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 38 | posição 573-574 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:40:09

É isso o tempo, o tempo inteiramente nu, que vem lentamente à existência, que se faz esperar e, quando chega, nos sentimos enfastiados porque percebemos que já estava ali havia muito tempo.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 38 | posição 574 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:40:19

Pqp
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 39 | posição 591-591 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:47:09

Minhas lembranças são como as moedas da bolsa do diabo: quando a abriram só encontraram folhas secas.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 40 | posição 599-601 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:49:56

Mas já não vejo nada mais: por mais que vasculhe meu passado, só extraio dele fragmentos de imagens e não sei muito bem o que representam, nem se são recordações ou ficções. Aliás, muitas vezes, esses próprios fragmentos
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 40 | posição 599-600 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:50:05

Mas já não vejo nada mais: por mais que vasculhe meu passado, só extraio dele fragmentos de imagens e não sei muito bem o que representam, nem se são recordações ou ficções.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 40 | posição 603-604 | Adicionado: domingo, 22 de setembro de 2019 23:51:07

Referem-se a um sujeito que faz isso ou aquilo, mas não sou eu, não tenho nada em comum com ele. Ele passeia por países sobre os quais sei tanto quanto se nunca tivesse estado lá.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 41 | posição 628-630 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 00:07:02

Deve ser uma reviravolta tão grande! Se alguma vez fizesse uma viagem, acho que, antes de partir, gostaria de anotar os menores traços de meu caráter para poder comparar, ao regressar, o que era antes com aquilo em que me transformei.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 43 | posição 655-655 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 00:27:26

unção — e adoraria também que me acontecessem coisas inesperadas,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 43 | posição 654-659 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 00:28:48

Gostaria de tornar alguns conhecimentos mais exatos — diz com unção — e adoraria também que me acontecessem coisas inesperadas, coisas novas, aventuras, para ser verdadeiro. Baixa a cabeça e adquire um ar maroto. — Que espécie de aventuras? — pergunto-lhe, espantado. — Todas as espécies, senhor. Tomar o trem errado. Descer numa cidade desconhecida. Perder a carteira, ser preso por equívoco, passar a noite na cadeia. Senhor, pensei que se podia definir a aventura: um acontecimento que sai do ordinário sem ser necessariamente extraordinário. Fala-se da magia das aventuras.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu marcador na página 45 | posição 676 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 07:17:24


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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 46 | posição 698-699 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:02:41

Apego-me a cada instante com todo o meu coração: sei que é único; insubstituível — e no entanto não faria um gesto para impedi-lo de se aniquilar.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 46 | posição 699 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:02:49

Escolha
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 46 | posição 703-703 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:04:29

e no entanto o minuto se esgota e não o retenho, gosto que passe.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 46 | posição 705-705 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:04:47

Diminui, contrai-se ao declinar, agora o fim se confunde com o começo.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 47 | posição 709 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:06:44

Náusea (?)
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 47 | posição 709-709 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:06:44

A Ideia continua ali,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 45 | posição 690-712 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:07:11

Teria sido preciso inicialmente que os começos fossem verdadeiros começos. Pobre de mim! Vejo tão claramente agora o que eu quis. Verdadeiros começos surgindo como um toque de clarim, como as primeiras notas de uma melodia de jazz, bruscamente cortando o tédio, fortalecendo a duração; essas noites, em meio a outras noites, sobre as quais se diz mais tarde: “Estava passeando, era uma noite de maio.” Estamos passeando, a lua acaba de surgir, estamos ociosos, disponíveis, um pouco vazios. E de repente pensamos: “Algo aconteceu.” Seja o que for: um estalido nas sombras, um vulto rápido que atravessa a rua. Mas esse acontecimento diminuto não é igual aos outros: percebemos imediatamente que ele antecede uma grande forma cujo desenho se perde na bruma e nos dizemos também: “Alguma coisa está começando.” Alguma coisa começa para terminar: a aventura não se deixa prolongar; só tem sentido através de sua morte. Para essa morte, que será talvez também a minha, sou arrastado inexoravelmente. Cada instante só surge para trazer os que se lhe seguem. Apego-me a cada instante com todo o meu coração: sei que é único; insubstituível — e no entanto não faria um gesto para impedi-lo de se aniquilar. Esse último minuto que passo — em Berlim, em Londres — nos braços de uma mulher que conheci na antevéspera — minuto que amo apaixonadamente, mulher que estou perto de amar — vai terminar, eu sei. Dentro em pouco partirei para outro país. Não tornarei a encontrar essa mulher, nem essa noite, nunca mais. Debruço-me sobre cada segundo, tento esgotá-lo; nada se passa que eu não capte, que não fixe para sempre em mim, nada, nem a ternura fugaz desses belos olhos, nem os ruídos da rua, nem a claridade titubeante do amanhecer: e no entanto o minuto se esgota e não o retenho, gosto que passe. E depois, subitamente, algo se quebra. A aventura terminou, o tempo retoma sua languidez quotidiana. Viro-me; atrás de mim aquela forma melódica mergulha inteira no passado. Diminui, contrai-se ao declinar, agora o fim se confunde com o começo. Acompanhando com o olhar esse ponto dourado, penso que aceitaria — ainda que tivesse estado ameaçado de morte, ou tivesse perdido um amigo, uma fortuna — reviver tudo, nas mesmas circunstâncias, de cabo a rabo. Mas uma aventura não recomeça, nem se prolonga. Sim, é isso que eu queria — ai de mim! É isso que quero ainda. Sinto tanta felicidade quando uma negra canta: que pináculos não atingiria, se minha própria vida constituísse a matéria da melodia! A Ideia continua ali, a inominável. Espera tranquilamente. No momento parece estar dizendo: — “Sim? É isso que você queria? Pois bem, é precisamente isso que você nunca teve (lembre-se: você se iludia com palavras, chamava de aventura ouropéis de viagem, amores de prostitutas, brigas, quinquilharias) e não terá jamais — nem você nem ninguém.” Mas por quê? POR QUÊ?
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 47 | posição 712 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:07:21

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 48 | posição 735-736 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:18:06

Como se fosse possível haver histórias verdadeiras; os acontecimentos ocorrem num sentido e nós os narramos em sentido inverso.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 48 | posição 736 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:18:16

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 49 | posição 739-740 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:22:20

exatamente nesse tipo de estado de espírito em que se deixam passar os acontecimentos sem vê-los.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 49 | posição 746-747 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 08:28:48

Esquecemos que o futuro ainda não estava ali; o sujeito passeava numa noite sem presságios, que lhe proporcionava de cambulhada suas riquezas monótonas, e ele não escolhia.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 51 | posição 782-783 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 09:38:37

altaneira que os tratava como arrivistas. O bispo arquitetou uma
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 52 | posição 783-783 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 09:38:47

arrivistas. O bispo arquitetou uma solução conciliatória:
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 52 | posição 784-785 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 09:40:11

na praça da Halle-aux-Morues, que foi batizada de praça Santa Cecília do Mar. Esse edifício monstruoso, que ficou pronto em 1887, não custou menos de 14 milhões.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 52 | posição 783-785 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 09:40:20

O bispo arquitetou uma solução conciliatória: a igreja foi construída a meio caminho do Coteau Vert e do bulevar Maritime, na praça da Halle-aux-Morues, que foi batizada de praça Santa Cecília do Mar. Esse edifício monstruoso, que ficou pronto em 1887, não custou menos de 14 milhões.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 52 | posição 785 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 09:40:29

Pesquisa
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On Cats (Charles Bukowski)
- Seu destaque na página 10 | posição 141-141 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 12:36:16

overhead, the sunset, love and God overhead, and
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 56 | posição 853-854 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 15:52:48

Ela é bastante jovem apesar da pele consumida. Por mais que ronde pelas imediações da rua Tournebride, ninguém a tomará por uma dama; ela é traída pelo fulgor cínico dos olhos, pelo ar sensato e previdente.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 60 | posição 916-916 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 16:04:46

Olhos de gato que caga na brasa.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 60 | posição 916 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 16:05:05

Mari riu
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 62 | posição 940-941 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 16:09:03

Dir-se-ia que o estado normal deles é o silêncio e a palavra uma pequena febre que às vezes os acomete.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 62 | posição 947-948 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 16:10:36

Aguardavam avidamente a hora das suaves trevas, do relaxamento, do abandono, a hora em que a tela, brilhante como uma pedra branca sob a água, falaria e sonharia por elas.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 65 | posição 987-988 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 21:10:20

multidão trágica que repousava.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 65 | posição 996-998 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 21:52:03

O domingo já tinha um passado. As villas e a balaustrada cinza pareciam recordações muito recentes. Um a um, os rostos perdiam o ar de lazer, vários se tornaram quase ternos.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 65 | posição 996-998 | Adicionado: segunda-feira, 23 de setembro de 2019 21:52:10

Nessa hora instável algo anunciava a noite. O domingo já tinha um passado. As villas e a balaustrada cinza pareciam recordações muito recentes. Um a um, os rostos perdiam o ar de lazer, vários se tornaram quase ternos.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 67 | posição 1014-1016 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 10:43:41

Nada mudou e no entanto tudo existe de uma outra maneira. Não consigo descrever; é como a Náusea e no entanto é exatamente o contrário: finalmente me acontece uma aventura e, quando me interrogo, vejo que me acontece que sou eu e que estou aqui; sou eu que fendo a noite, estou feliz como um herói de romance.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 68 | posição 1040-1042 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 10:57:24

Conheço-a bem: é ruiva como eu; tem uma doença no ventre. Apodrece suavemente sob as saias, com um sorriso melancólico semelhante ao cheiro de violeta que às vezes exalam os corpos em decomposição.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 68 | posição 1042 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 10:57:32

Pqp
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 69 | posição 1053-1054 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:00:56

Há que ter cuidado com a literatura. É preciso escrever ao correr da pena; sem escolher as palavras.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 69 | posição 1057-1058 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:03:05

Preciso me limpar com pensamentos abstratos, transparentes como a água.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 70 | posição 1061-1063 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:08:27

Em suma, fala-se muito dessa famosa passagem do tempo, mas não a vemos. Vemos uma mulher, pensamos que um dia será velha, mas não a vemos envelhecer. Mas por alguns momentos parece que a vemos envelhecer e que nos sentimos envelhecer
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 70 | posição 1061-1063 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:08:40

Em suma, fala-se muito dessa famosa passagem do tempo, mas não a vemos. Vemos uma mulher, pensamos que um dia será velha, mas não a vemos envelhecer. Mas por alguns momentos parece que a vemos envelhecer e que nos sentimos envelhecer com ela: é o sentimento de aventura.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 70 | posição 1072-1073 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:12:04

Senti-me invadido por uma alegria amarga e compreendi, sem necessidade de olhar o relógio, que eram 11 horas. A partir desse instante começamos a sentir os minutos passarem.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 70 | posição 1073 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:12:21

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 72 | posição 1096-1098 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:18:52

E quando traiu seus benfeitores e amigos, relembrou os acontecimentos com gravidade, para extrair deles uma moral. Nunca achou que tivesse o menor direito sobre os outros nem estes sobre ele: considera injustificadas e gratuitas as dádivas que a vida lhe propicia. Liga-se fortemente a tudo, mas se desvincula com facilidade.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 72 | posição 1098 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 11:19:03

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu marcador na página 73 | posição 1114 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 19:11:28


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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 75 | posição 1144-1145 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 19:28:09

Não gosto desses dias excepcionais: há matinês nos cinemas, é feriado para as crianças das escolas; há nas ruas um vago ar de festa que não cessa de solicitar a atenção e se dissipa tão logo atentamos nele.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 55748-55750 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:12:45

esgarçar v. tr. 1. Rasgar (um tecido) afastando os fios. 2. Separar (ramos) da árvore, sem os cortar. • v. intr. 3. Desfiar-se, abrir-se, o tecido raro.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 55749 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:12:58

Flerte
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 77 | posição 1178-1181 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:20:19

Ela sorria. Perdi primeiro a lembrança de seus olhos, depois a do seu corpo esguio. Guardei, o mais que pude, seu sorriso, e finalmente, há três anos, perdi-o também. Ainda agora, bruscamente, no que pegava a carta das mãos da patroa, ele retornou; julguei ver Anny sorrindo. Tento lembrá-lo novamente: preciso sentir toda a ternura que Anny me inspira; essa ternura está presente, está bem perto, pedindo para nascer. Mas o sorriso não retorna: terminou. Permaneço vazio e seco.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 78 | posição 1181 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:21:08

Papo que tive com a Mari, sobre Saulo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 78 | posição 1185-1185 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:26:00

Hem? Traga-me um Byrrh com água.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 78 | posição 1185 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:26:08

Pesquisa
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 78 | posição 1189-1200 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:31:10

Enfio a carta de Anny em minha carteira: ela me deu o que podia; não posso remontar à mulher que a teve nas mãos, dobrou-a, colocou-a no envelope. Será possível pensar em alguém no passado? Enquanto nos amamos, não permitimos que o mais ínfimo de nossos instantes, a mais leve de nossas dores se desligassem de nós e ficassem para trás. Os sons, os odores, os matizes do dia, até os pensamentos que não nos dissemos, tudo isso nos acompanhava e tudo permanecia vivo: não cessávamos de desfrutá-los ou de sofrer por eles no presente. Nenhuma lembrança; um amor implacável e tórrido, sem sombras, sem recuo, sem refúgio. Três anos presentes ao mesmo tempo. Foi por isso que nos separamos: já não tínhamos forças suficientes para suportar esse fardo. E então, quando Anny me deixou, de repente, de uma só vez, os três anos, como um todo, desmoronaram no passado. Sequer sofri: me sentia vazio. Depois o tempo recomeçou a passar e o vazio aumentou. A seguir, em Saigon, quando decidi regressar à França, tudo que ainda permanecia — rostos estranhos, praças, cais à beira de longos rios —, tudo se aniquilou. E aí está: meu passado é apenas um enorme buraco. Meu presente: essa empregada de corpete preto entregue a seus devaneios perto do balcão, esse homenzinho. Parece-me que tudo o que sei de minha vida foi aprendido nos livros. Os palácios de Benares, o terraço do Rei Leproso, os templos de Java com suas grandes escadarias quebradas, refletiram-se um instante em meus olhos, mas ficaram lá longe, onde estavam. O bonde que passa em frente ao hotel Printania não leva consigo à noite, no vidro de suas janelas, o reflexo do anúncio em néon; inflama-se um instante e se afasta com as vidraças negras.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 79 | posição 1200 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:34:56

Penso em como a Mari se sentiu com relação às nossas lembranças  de namoro, nessa época onde ela havia supostamente dado por certo a minha etérea ausência
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 80 | posição 1215-1215 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:37:07

mas já não é o mesmo silêncio.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 80 | posição 1218-1220 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:39:17

Suave luz; as pessoas estão em casa, certamente também acenderam as suas. Leem, olham o céu através da janela. Para eles... é outra coisa. Envelheceram diferentemente. Vivem no meio de legados, de presentes, e cada um de seus móveis é uma recordação. Relógios de sala, medalhas, retratos,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 80 | posição 1217-1221 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:39:22

A empregada acende a luz; são somente duas horas, mas o céu está inteiramente escuro e já não há claridade suficiente para costurar. Suave luz; as pessoas estão em casa, certamente também acenderam as suas. Leem, olham o céu através da janela. Para eles... é outra coisa. Envelheceram diferentemente. Vivem no meio de legados, de presentes, e cada um de seus móveis é uma recordação. Relógios de sala, medalhas, retratos, conchas, pesos de papel, biombos, xales. Têm armários cheios de garrafas, de tecidos, de velhas roupas, de jornais; guardaram tudo. O passado é um luxo de proprietários.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 80 | posição 1220-1221 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:39:40

O passado é um luxo de proprietários.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 80 | posição 1221 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:39:49

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 80 | posição 1217-1221 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 20:39:53

A empregada acende a luz; são somente duas horas, mas o céu está inteiramente escuro e já não há claridade suficiente para costurar. Suave luz; as pessoas estão em casa, certamente também acenderam as suas. Leem, olham o céu através da janela. Para eles... é outra coisa. Envelheceram diferentemente. Vivem no meio de legados, de presentes, e cada um de seus móveis é uma recordação. Relógios de sala, medalhas, retratos, conchas, pesos de papel, biombos, xales. Têm armários cheios de garrafas, de tecidos, de velhas roupas, de jornais; guardaram tudo. O passado é um luxo de proprietários.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 83 | posição 1266-1267 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 23:48:48

O doutor tem experiência. É um profissional da experiência: os médicos, os padres, os magistrados e os oficiais conhecem o homem como se o tivessem feito.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 83 | posição 1267 | Adicionado: terça-feira, 24 de setembro de 2019 23:48:56

Pqp
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 85 | posição 1293-1294 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 00:11:31

Por trás de sua importância adivinha-se uma preguiça melancólica: veem desfilar aparências, bocejam, acham que não há nada de novo sob o sol.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 85 | posição 1294 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 00:12:03

Pqp
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 80 | posição 1215 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 00:14:02

Teste
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 86 | posição 1306-1306 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 00:18:03

a cada dia se parece um pouco mais com o cadáver que se tornará.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 86 | posição 1311-1312 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 00:19:32

Ter feito amor é muito melhor do que fazê-lo ainda: com a distância, julga-se, compara-se e reflete-se.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 86 | posição 1312 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 00:19:46

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 86 | posição 1314-1315 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 00:20:16

Gostaria que esse sorriso lhe revelasse tudo o que tenta esconder de si mesmo.
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Fazendeiro do Ar (Andrade, Carlos Drummond de)
- Seu destaque na página 5 | posição 64-65 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 04:54:33

e esse cavalo solto pela cama, a passear o peito de quem ama.
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Fazendeiro do Ar (Andrade, Carlos Drummond de)
- Seu destaque na página 6 | posição 79-82 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 05:01:59

Então, desanimamos. Adeus, tudo! A mala pronta, o corpo desprendido, resta a alegria de estar só, e mudo. De que se formam nossos poemas? Onde? Que sonho envenenado lhes responde, se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?
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Fazendeiro do Ar (Andrade, Carlos Drummond de)
- Seu destaque na página 8 | posição 116-116 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 05:14:34

era a invenção do amor no tempo atômico,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 90 | posição 1372-1372 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 05:39:44

E se tivesse morrido... Esse pensamento me ocorrera. É bem o tipo de ideia que o tempo de nevoeiro estimula.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 92 | posição 1407 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 05:50:45

Pesquisa
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 92 | posição 1407-1407 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 05:50:45

ovo à russa
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 93 | posição 1415-1416 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 05:54:03

Ao vê-lo, tive um momento de esperança: a dois talvez fosse mais fácil atravessar o dia. Mas com o Autodidata só aparentemente se está a dois.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 93 | posição 1416 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 05:54:19

risos
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 95 | posição 1443 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 06:02:03

Pesquisa
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 95 | posição 1443-1443 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 06:02:03

seu pescoço ensanguentado
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 95 | posição 1443-1444 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 06:03:16

Assim, esses objetos servem pelo menos para fixar os limites do verossímil.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 95 | posição 1453-1454 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 10:19:14

Creio que é por preguiça que o mundo parece o mesmo de um dia para o outro.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 97 | posição 1473-1474 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 10:29:22

Sua aparência não era inteiramente natural, mas eu me dizia com força: é um lampião de gás, é uma bica, e tentava, com a força de meu olhar, reduzi-los a seu aspecto quotidiano.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 96 | posição 1471-1474 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 10:29:36

Enquanto pudesse fixar os objetos, nada aconteceria: olhava o máximo possível o calçamento, as casas, os lampiões de gás; meus olhos iam rapidamente de uns para outros, para poder surpreendê-los e detê-los no meio de sua metamorfose. Sua aparência não era inteiramente natural, mas eu me dizia com força: é um lampião de gás, é uma bica, e tentava, com a força de meu olhar, reduzi-los a seu aspecto quotidiano.
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 278-279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:54:26

désigné pour que les rats y meurent au soleil et que les concierges
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:54:59

Os porteiros perecem
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 279-279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:54:59

concierges y périssent
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 278-279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:55:04

notre petite ville pût être un lieu particulièrement désigné pour que les rats y meurent
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 278-279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:55:18

notre petite ville pût être un lieu particulièrement désigné pour que les rats y meurent
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 278-279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:55:35

rats y meurent
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:58:50

tRuvê
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 279-279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 14:58:50

trouvaient
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 279 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 15:09:59

Os porteiros perecem
peRis
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 280 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 15:10:13

Teve
Us
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 280-280 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 15:10:13

l’eussent
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 281 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 15:15:51

Dyr
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 281-281 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 15:15:51

durent
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 282 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 15:20:05

Comancér
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 282-282 | Adicionado: quarta-feira, 25 de setembro de 2019 15:20:05

commencèrent.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 105 | posição 1596-1597 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:14:26

Porque um direito é sempre apenas o outro aspecto de um dever.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 105 | posição 1597-1599 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:15:52

Nunca disse a si mesmo que era feliz e, quando se entregava a um prazer, fazia-o com moderação, dizendo: “Estou me distraindo.” Assim, o prazer, passando também para a categoria de direito, perdia sua futilidade agressiva.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 105 | posição 1599 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:16:04

Curioso
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 105 | posição 1601 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:17:51

Pesquise
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 105 | posição 1601-1601 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:17:51

Horácio
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 105 | posição 1606-1607 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:21:11

(Esses retratos pintados sobretudo com fins de edificação moral e cuja exatidão tocava as raias do escrúpulo não excluíam a preocupação artística.)
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 105 | posição 1610-1612 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:26:25

se achasse que era chegada a hora de fazer entrever ao neto a extensão de seus futuros deveres, falaria de si próprio na terceira pessoa. “Você vai prometer ao seu avô, meu querido, que será muito ajuizado, estudará com afinco no próximo ano. Talvez no próximo ano seu avô já não esteja aqui.”
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 56206-56207 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:27:01

espargir v. tr. e pron. 1. Derramar (vertendo), espalhar. 2. Desfolhar. 3. Difundir. 4. Aspergir; esparzir.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 56207 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:27:11

Flerte
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 106 | posição 1612-1613 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:29:35

No ocaso da vida ele espargia sua indulgente bondade sobre cada um.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 106 | posição 1613 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:29:41

Belo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 106 | posição 1620-1621 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:31:18

a experiência era bem mais do que uma defesa contra a morte; era um direito: o direito dos velhos.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 107 | posição 1631-1631 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:38:07

Renaudas o pintara com amor,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 107 | posição 1631 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 10:38:20

Pesquisa
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 109 | posição 1668-1669 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 11:35:18

Um verdadeiro caso de possessão, pensei. Quando o direito se apodera de um homem, não há exorcismo capaz de expulsá-lo;
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 110 | posição 1678-1683 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 11:39:39

Bochechas pálidas e rechonchudas de criança: espalhavam-se na tela. Os empregados da S.A.B. nunca suspeitaram que existissem: não ficavam tempo bastante no escritório de Parrottin. Quando entravam, deparavam-se com esse olhar terrível, como se fosse um muro. Por trás deste, as bochechas estavam protegidas, brancas e flácidas. Ao fim de quantos anos sua mulher reparara nelas? Dois anos? Cinco anos? Um dia, imagino, quando o marido dormia ao seu lado e um raio de luar lhe acariciava o nariz, ou então, quando fazia a digestão com dificuldade, na hora do calor, reclinado numa poltrona, os olhos semicerrados, com uma poça de sol no queixo, ela ousara olhá-lo de frente: toda aquela carne aparecera sem defesa, balofa, babosa, vagamente obscena.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 110 | posição 1683 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 11:39:51

Brabo
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 111 | posição 1692 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 11:46:01

Pesquisa
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 111 | posição 1692-1692 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 11:46:01

Renaudas e de Bordurin,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 112 | posição 1715-1715 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 14:25:55

rezingões. A frase era dirigida a mim. O senhor me olhou
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 112 | posição 1714-1715 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 14:26:04

— Não! Devia ser um bom interlocutor para os rezingões.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 113 | posição 1732-1732 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 14:37:45

Já o disse muitas vezes: comandar não é um direito da elite; é seu principal dever.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 113 | posição 1727-1733 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 14:38:24

Olivier Blévigne desposou em 1880 Marie-Louise Pacôme, filha caçula do negociante Charles Pacôme (ver esse nome) e fundou, por ocasião da morte deste, a casa Pacôme-Blévigne e Filhos. Pouco depois se voltou para a política ativa e se candidatou a deputado. “‘O país’ — disse num discurso célebre — ‘sofre da mais grave das doenças: a classe dirigente já não quer comandar. E quem então comandará, senhores, se aqueles cuja hereditariedade, cuja educação, cuja experiência tornaram mais aptos para o exercício do poder, se afastam deste por resignação ou lassidão? Já o disse muitas vezes: comandar não é um direito da elite; é seu principal dever. Senhores, eu vos conjuro: restauremos o princípio da autoridade!’.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 113 | posição 1727-1733 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 14:38:33

Olivier Blévigne desposou em 1880 Marie-Louise Pacôme, filha caçula do negociante Charles Pacôme (ver esse nome) e fundou, por ocasião da morte deste, a casa Pacôme-Blévigne e Filhos. Pouco depois se voltou para a política ativa e se candidatou a deputado. “‘O país’ — disse num discurso célebre — ‘sofre da mais grave das doenças: a classe dirigente já não quer comandar. E quem então comandará, senhores, se aqueles cuja hereditariedade, cuja educação, cuja experiência tornaram mais aptos para o exercício do poder, se afastam deste por resignação ou lassidão? Já o disse muitas vezes: comandar não é um direito da elite; é seu principal dever. Senhores, eu vos conjuro: restauremos o princípio da autoridade!’.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 115 | posição 1758-1759 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 14:52:25

Já não me espantava que empinasse o nariz para o ar tão impetuosamente: o destino dos homens dessa estatura se decide sempre algumas polegadas acima de suas cabeças.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 115 | posição 1759 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 14:52:51

Pqp
escroto e interesante
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 122 | posição 1866-1867 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 18:55:36

Vejo as unhas — a única coisa de mim que não vive.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 122 | posição 1868-1868 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 18:55:54

— dir-se-ia um peixe, se não houvesse os pelos ruivos no início das falanges.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 125 | posição 1904-1937 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 20:01:03

Sou, existo, penso, logo sou: sou porque penso, por que penso? Já não quero pensar, sou porque penso que não quero ser, penso que eu... porque... bah! Fujo, o ignóbil indivíduo fugiu, seu corpo violado. Ela sentiu aquela outra carne que penetrava na sua. Eu... eis que eu... Violada. Um suave desejo sangrento de estupro que se apodera de mim por trás, muito suave, por trás das orelhas, as orelhas correm atrás de mim, os cabelos ruivos são ruivos em minha cabeça, uma relva molhada, uma relva ruiva, isso ainda sou eu? E esse jornal ainda sou eu? Segurar o jornal, existência contra existência, as coisas existem encostadas umas nas outras, solto esse jornal. A casa brota, ela existe; à minha frente passo rente ao muro, ao longo do longo muro, existo, em frente ao muro, um passo, o muro existe à minha frente, um, dois, atrás de mim, o muro está atrás de mim, um dedo que coça em minha calça, coça, coça e puxa o dedo da criança maculado de lama, a lama em meu dedo que saía do riacho lamacento e torna a cair suavemente, suavemente, amolecia, coçava com menos força que os dedos da menina que estrangulavam, ignóbil indivíduo, raspavam a lama, a terra com menos força, o dedo desliza suavemente, cai de cabeça e acaricia, rolo quente junto a minha coxa; a existência é mole e rola e se sacode, eu me sacudo entre as casas, eu sou, existo, penso, logo me sacudo, sou, a existência é uma queda caída, não cairá, cairá, o dedo raspa na lucarna, a existência é uma imperfeição. O senhor. O belo senhor existe. O senhor sente que existe. Não, o belo senhor que passa, altivo e suave como uma ipomeia, não sente que existe. Desabrochar; minha mão cortada dói, existe, existe, existe. O belo senhor existe, Legião de Honra, existe bigode, é só; como deve ser feliz quem é apenas uma Legião de Honra e um bigode e o resto ninguém vê, ele vê as duas pontas finas de seu bigode dos dois lados do nariz; não penso, logo sou um bigode. Não vê nem seu corpo magro nem seus pés grandes, vasculhando no fundo das calças se encontraria um par de borrachinhas cinzentas. Ele tem a Legião de Honra, os Salafrários têm o direito de existir. “Existo, porque isso é um direito meu.” Tenho o direito de existir, logo tenho o direito de não pensar: o dedo não se ergue. Será que vou... acariciar na plenitude dos lençóis brancos a carne branca plena que se inclina suave, tocar a umidade florida das axilas, os elixires e os licores e as florescências da carne, entrar na existência de outrem, nas mucosas vermelhas com o forte, doce, doce odor de existência, me sentir existir entre os suaves lábios molhados, os lábios vermelhos de sangue pálido, os lábios palpitantes que bocejam todos molhados de existência, todos molhados de pus claro, entre os lábios molhados açucarados que lacrimejam como olhos? Meu corpo de carne que vive, a carne que fervilha e mexe suavemente licores, que mexe creme, a carne que mexe, mexe, mexe, a água doce e açucarada de minha carne, o sangue de minha mão, dói-me, suave em minha carne pisada que mexe, anda, eu ando, fujo, sou um ignóbil indivíduo com a carne pisada, pisada de existência contra essas paredes. Sinto frio, dou um passo, sinto frio, um passo, viro à esquerda, ele vira à esquerda, ele pensa que vira à esquerda, louco, estou louco? Ele diz que tem medo de estar louco, a existência, você vê a existência? Ele para, o corpo para, ele pensa que para, de onde vem? Que faz? Recomeça a andar, sente medo, muito medo, o ignóbil indivíduo, o desejo como uma bruma, o desejo, o nojo, ele diz que está enojado de existir. Está enojado? Cansado e enojado de existir. Está correndo. Que espera? Corre para fugir de si mesmo, para se jogar no lago? Corre, o coração, o coração que bate é uma festa. O coração existe, as pernas existem, a respiração existe, eles existem correndo, respirando, batendo muito frouxo, muito lento, perde o fôlego, perco o fôlego, ele diz que perde o fôlego; a existência agarra meus pensamentos por trás e os desenvolve lentamente por trás; me agarram por trás, me forçam por trás a pensar, portanto a ser alguma coisa, atrás de mim, que respira em leves bolhas de existência, ele é bolha de bruma de desejo, no espelho é pálido como um morto, Rollebon morreu, Antoine Roquentin não morreu, desmaiar; ele disse que queria desmaiar, está correndo, o furão corre (por trás) por trás por trás, a pequena Lucienne atacada por trás, violada pela existência por trás, ele pede misericórdia, tem vergonha de pedir misericórdia, piedade, socorro, socorro logo existo, entra no Bar de la Marine, os espelhinhos do bordelzinho, está pálido nos espelhinhos do bordelzinho, o ruivo grandalhão e mole que se deixa cair no banco, o pick-up tocando existe, tudo gira, existe o pick-up, o coração bate: girem, girem licores da vida, girem gelatinas, xaropes de minha carne, doçuras... O pick-up.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 123 | posição 1875-1943 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 20:02:01

habitual. Levanto-me de chofre: se pelo menos pudesse parar de pensar, já seria melhor. Os pensamentos são o que há de mais insípido. Mais insípido ainda do que a carne. Prolongam-se interminavelmente e deixam um gosto esquisito. E depois, dentro dos pensamentos, há as palavras, as palavras inacabadas, os esboços de frases que retornam constantemente: “Tenho que termi... Eu ex... Morr... O sr. de Roll morreu... Não estou... Eu ex...” E assim por diante... e não termina nunca. É pior que o resto, porque me sinto responsável e cúmplice. Por exemplo, essa espécie de ruminação dolorosa: existo — sou eu que a alimento. Eu. O corpo vive sozinho, uma vez que começou a viver. Mas o pensamento, sou eu que o continuo, que o desenvolvo. Existo. Penso que existo. Oh! Que serpentina comprida esse sentimento de existir — e eu a desenrolo muito lentamente... Se pudesse me impedir de pensar! Tento, consigo: parece-me que minha cabeça se enche de fumaça... e eis que tudo recomeça: “Fumaça... não pensar... Não quero pensar... Penso que não quero pensar... Não devo pensar que não quero pensar. Porque isso também é um pensamento.” Será que não termina nunca? Meu pensamento sou eu: eis por que não posso parar. Existo porque penso... e não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento — é terrível — se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência. Os pensamentos nascem por trás de mim como uma vertigem, sinto-os nascer atrás de minha cabeça... se eu cedo, virão para a frente, aqui entre meus olhos — e sempre cedo, o pensamento cresce, cresce e fica imenso, me enchendo por inteiro e renovando minha existência. Minha saliva está açucarada, meu corpo está morno; sinto-me insípido. Meu canivete está sobre a mesa. Abro-o. Por que não? De toda maneira seria uma mudança. Coloco minha mão esquerda sobre o bloco e me desfiro uma boa canivetada na palma. O gesto foi muito nervoso; a lâmina escorregou, a ferida é superficial. Sangra. E afinal? O que foi que mudou? De toda maneira olho com satisfação na folha branca, por entre as linhas que tracei há pouco, essa poçazinha de sangue que finalmente deixou de ser eu. Quatro linhas numa folha branca, uma mancha de sangue, é assim que se forma uma bela recordação. Terei de escrever embaixo: “Nesse dia desisti de fazer meu livro sobre o marquês de Rollebon.” Farei um curativo em minha mão? Hesito. Olho para o monótono veiozinho de sangue. Está exatamente começando a coagular. Terminou. Minha pele, em torno do corte, está como que enferrujada. Sob a pele resta apenas uma pequena sensação semelhante às outras, talvez ainda mais apagada. Soam cinco e meia. Levanto-me, minha camisa fria se cola à minha carne. Saio. Por quê? Bem, porque também não tenho razão alguma para não fazê-lo. Ainda que fique, ainda que me encolha em silêncio num canto, não me esquecerei de mim. Estarei aqui, pesarei sobre o assoalho. Eu sou. Compro um jornal no caminho. Sensacional. O corpo da pequena Lucienne foi encontrado! Cheiro de tinta, o papel se amarrota entre meus dedos. O ignóbil indivíduo fugiu. A criança foi violada. Encontraram seu corpo com os dedos crispados na lama. Faço uma bola com o jornal; meus dedos estão crispados no jornal; cheiro de tinta; Deus meu, como as coisas hoje existem com intensidade. A pequena Lucienne foi violada. Estrangulada. Seu corpo ainda existe, sua carne pisada. Ela já não existe. Suas mãos. Ela já não existe. As casas. Caminho entre as casas, estou entre as casas muito teso sobre o calçamento; o calçamento sob meus pés existe, as casas tornam a se fechar sobre mim, como a água se fecha sobre mim sobre o papel em forma de montanha de cisne, eu sou. Sou, existo, penso, logo sou: sou porque penso, por que penso? Já não quero pensar, sou porque penso que não quero ser, penso que eu... porque... bah! Fujo, o ignóbil indivíduo fugiu, seu corpo violado. Ela sentiu aquela outra carne que penetrava na sua. Eu... eis que eu... Violada. Um suave desejo sangrento de estupro que se apodera de mim por trás, muito suave, por trás das orelhas, as orelhas correm atrás de mim, os cabelos ruivos são ruivos em minha cabeça, uma relva molhada, uma relva ruiva, isso ainda sou eu? E esse jornal ainda sou eu? Segurar o jornal, existência contra existência, as coisas existem encostadas umas nas outras, solto esse jornal. A casa brota, ela existe; à minha frente passo rente ao muro, ao longo do longo muro, existo, em frente ao muro, um passo, o muro existe à minha frente, um, dois, atrás de mim, o muro está atrás de mim, um dedo que coça em minha calça, coça, coça e puxa o dedo da criança maculado de lama, a lama em meu dedo que saía do riacho lamacento e torna a cair suavemente, suavemente, amolecia, coçava com menos força que os dedos da menina que estrangulavam, ignóbil indivíduo, raspavam a lama, a terra com menos força, o dedo desliza suavemente, cai de cabeça e acaricia, rolo quente junto a minha coxa; a existência é mole e rola e se sacode, eu me sacudo entre as casas, eu sou, existo, penso, logo me sacudo, sou, a existência é uma queda caída, não cairá, cairá, o dedo raspa na lucarna, a existência é uma imperfeição. O senhor. O belo senhor existe. O senhor sente que existe. Não, o belo senhor que passa, altivo e suave como uma ipomeia, não sente que existe. Desabrochar; minha mão cortada dói, existe, existe, existe. O belo senhor existe, Legião de Honra, existe bigode, é só; como deve ser feliz quem é apenas uma Legião de Honra e um bigode e o resto ninguém vê, ele vê as duas pontas finas de seu bigode dos dois lados do nariz; não penso, logo sou um bigode. Não vê nem seu corpo magro nem seus pés grandes, vasculhando no fundo das calças se encontraria um par de borrachinhas cinzentas. Ele tem a Legião de Honra, os Salafrários têm o direito de existir. “Existo, porque isso é um direito meu.” Tenho o direito de existir, logo tenho o direito de não pensar: o dedo não se ergue. Será que vou... acariciar na plenitude dos lençóis brancos a carne branca plena que se inclina suave, tocar a umidade florida das axilas, os elixires e os licores e as florescências da carne, entrar na existência de outrem, nas mucosas vermelhas com o forte, doce, doce odor de existência, me sentir existir entre os suaves lábios molhados, os lábios vermelhos de sangue pálido, os lábios palpitantes que bocejam todos molhados de existência, todos molhados de pus claro, entre os lábios molhados açucarados que lacrimejam como olhos? Meu corpo de carne que vive, a carne que fervilha e mexe suavemente licores, que mexe creme, a carne que mexe, mexe, mexe, a água doce e açucarada de minha carne, o sangue de minha mão, dói-me, suave em minha carne pisada que mexe, anda, eu ando, fujo, sou um ignóbil indivíduo com a carne pisada, pisada de existência contra essas paredes. Sinto frio, dou um passo, sinto frio, um passo, viro à esquerda, ele vira à esquerda, ele pensa que vira à esquerda, louco, estou louco? Ele diz que tem medo de estar louco, a existência, você vê a existência? Ele para, o corpo para, ele pensa que para, de onde vem? Que faz? Recomeça a andar, sente medo, muito medo, o ignóbil indivíduo, o desejo como uma bruma, o desejo, o nojo, ele diz que está enojado de existir. Está enojado? Cansado e enojado de existir. Está correndo. Que espera? Corre para fugir de si mesmo, para se jogar no lago? Corre, o coração, o coração que bate é uma festa. O coração existe, as pernas existem, a respiração existe, eles existem correndo, respirando, batendo muito frouxo, muito lento, perde o fôlego, perco o fôlego, ele diz que perde o fôlego; a existência agarra meus pensamentos por trás e os desenvolve lentamente por trás; me agarram por trás, me forçam por trás a pensar, portanto a ser alguma coisa, atrás de mim, que respira em leves bolhas de existência, ele é bolha de bruma de desejo, no espelho é pálido como um morto, Rollebon morreu, Antoine Roquentin não morreu, desmaiar; ele disse que queria desmaiar, está correndo, o furão corre (por trás) por trás por trás, a pequena Lucienne atacada por trás, violada pela existência por trás, ele pede misericórdia, tem vergonha de pedir misericórdia, piedade, socorro, socorro logo existo, entra no Bar de la Marine, os espelhinhos do bordelzinho, está pálido nos espelhinhos do bordelzinho, o ruivo grandalhão e mole que se deixa cair no banco, o pick-up tocando existe, tudo gira, existe o pick-up, o coração bate: girem, girem licores da vida, girem gelatinas, xaropes de minha carne, doçuras... O pick-up. When the low moon begins to beam Every night I dream a little dream. A voz grave e rouca surge bruscamente e o mundo se desvanece, o mundo das existências. Uma mulher de carne teve essa voz, cantou diante de um disco, com sua roupa mais bonita, e gravaram sua voz. A mulher: ora! ela existia como eu, como Rollebon, não desejo conhecê-la. Mas há isso. Não se pode dizer que isso existe. O disco que gira existe, o ar atingido pela voz que vibra existe, a voz que se imprimiu no disco existiu. Eu, que escuto, existo. Tudo está cheio, existência por todo lado, densa e pesada e suave. Mas, para além de toda essa suavidade, inacessível, bem perto, tão longe, lamentavelmente, jovem, impiedoso e sereno, existe esse... esse rigor.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 122 | posição 1864-1864 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 20:02:39

Vejo minha mão que desabrocha sobre a mesa. Ela vive — sou eu. Abre-se, os dedos se estendem e apontam. Ela está
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 122 | posição 1860-1875 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 20:02:54

Existo. É suave, tão suave, tão lento. E leve: dir-se-ia que isso flutua no ar por si só. Mexe-se. São leves toques, por todo lado, toques que se dissolvem e se desvanecem. Suavemente, suavemente. Há uma água espumosa em minha boca. Engulo-a, ela desliza por minha garganta, me acaricia — e eis que renasce em minha boca, tenho perpetuamente na boca uma pequena poça de água esbranquiçada — discreta — que roça minha língua. E essa poça também sou eu. E a língua também, e a garganta, sou eu. Vejo minha mão que desabrocha sobre a mesa. Ela vive — sou eu. Abre-se, os dedos se estendem e apontam. Ela está pousada de costas. Mostra-me seu ventre gordo. Parece um animal de pernas para o ar. Os dedos são as patas. Divirto-me fazendo-os mexer muito rápido, como as patas de um caranguejo caído de costas. O caranguejo morreu: as patas se crispam, vêm para o ventre de minha mão. Vejo as unhas — a única coisa de mim que não vive. E mesmo assim... Minha mão se vira, estende-se de barriga para baixo, me oferece agora suas costas. Costas prateadas, um pouco brilhantes — dir-se-ia um peixe, se não houvesse os pelos ruivos no início das falanges. Sinto minha mão. Esses dois animais que se agitam na ponta de meus braços sou eu. Minha mão coça uma de suas patas com a unha de uma outra pata; sinto seu peso na mesa que não sou eu. Essa impressão de peso persiste, não passa, persiste. Não há razão para que passe. Com o tempo, isso se torna intolerável... Retiro minha mão, coloco-a em meu bolso. Mas sinto logo, através do tecido, o calor de minha coxa. Faço saltar imediatamente minha mão de meu bolso; deixo-a caída junto ao espaldar da cadeira. Agora sinto seu peso na ponta de meu braço. Ela puxa um pouco, muito pouco, mole, maciamente ela existe. Não insisto: onde quer que a ponha, ela continuará a existir e eu continuarei a sentir que ela existe; não posso suprimi-la, nem suprimir o resto de meu corpo, o calor úmido que suja minha camisa, nem toda essa gordura quente que se move preguiçosamente como se uma colher a remexesse, nem todas as sensações que passeiam lá dentro, que vão e vêm, sobem de meu flanco até minha axila, ou então vegetam silenciosamente, da manhã à noite, em seu canto habitual.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 123 | posição 1881-1906 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 20:05:04

Existo. Penso que existo. Oh! Que serpentina comprida esse sentimento de existir — e eu a desenrolo muito lentamente... Se pudesse me impedir de pensar! Tento, consigo: parece-me que minha cabeça se enche de fumaça... e eis que tudo recomeça: “Fumaça... não pensar... Não quero pensar... Penso que não quero pensar... Não devo pensar que não quero pensar. Porque isso também é um pensamento.” Será que não termina nunca? Meu pensamento sou eu: eis por que não posso parar. Existo porque penso... e não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento — é terrível — se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência. Os pensamentos nascem por trás de mim como uma vertigem, sinto-os nascer atrás de minha cabeça... se eu cedo, virão para a frente, aqui entre meus olhos — e sempre cedo, o pensamento cresce, cresce e fica imenso, me enchendo por inteiro e renovando minha existência. Minha saliva está açucarada, meu corpo está morno; sinto-me insípido. Meu canivete está sobre a mesa. Abro-o. Por que não? De toda maneira seria uma mudança. Coloco minha mão esquerda sobre o bloco e me desfiro uma boa canivetada na palma. O gesto foi muito nervoso; a lâmina escorregou, a ferida é superficial. Sangra. E afinal? O que foi que mudou? De toda maneira olho com satisfação na folha branca, por entre as linhas que tracei há pouco, essa poçazinha de sangue que finalmente deixou de ser eu. Quatro linhas numa folha branca, uma mancha de sangue, é assim que se forma uma bela recordação. Terei de escrever embaixo: “Nesse dia desisti de fazer meu livro sobre o marquês de Rollebon.” Farei um curativo em minha mão? Hesito. Olho para o monótono veiozinho de sangue. Está exatamente começando a coagular. Terminou. Minha pele, em torno do corte, está como que enferrujada. Sob a pele resta apenas uma pequena sensação semelhante às outras, talvez ainda mais apagada. Soam cinco e meia. Levanto-me, minha camisa fria se cola à minha carne. Saio. Por quê? Bem, porque também não tenho razão alguma para não fazê-lo. Ainda que fique, ainda que me encolha em silêncio num canto, não me esquecerei de mim. Estarei aqui, pesarei sobre o assoalho. Eu sou. Compro um jornal no caminho. Sensacional. O corpo da pequena Lucienne foi encontrado! Cheiro de tinta, o papel se amarrota entre meus dedos. O ignóbil indivíduo fugiu. A criança foi violada. Encontraram seu corpo com os dedos crispados na lama. Faço uma bola com o jornal; meus dedos estão crispados no jornal; cheiro de tinta; Deus meu, como as coisas hoje existem com intensidade. A pequena Lucienne foi violada. Estrangulada. Seu corpo ainda existe, sua carne pisada. Ela já não existe. Suas mãos. Ela já não existe. As casas. Caminho entre as casas, estou entre as casas muito teso sobre o calçamento; o calçamento sob meus pés existe, as casas tornam a se fechar sobre mim, como a água se fecha sobre mim sobre o papel em forma de montanha de cisne, eu sou. Sou, existo, penso, logo sou: sou porque penso, por que penso? Já não quero pensar, sou porque penso que não quero ser, penso que eu... porque... bah! Fujo, o ignóbil indivíduo fugiu, seu corpo violado. Ela sentiu aquela outra carne que penetrava na sua. Eu... eis que eu... Violada. Um suave desejo sangrento de estupro que se
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 123 | posição 1881-1943 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 20:05:33

Existo. Penso que existo. Oh! Que serpentina comprida esse sentimento de existir — e eu a desenrolo muito lentamente... Se pudesse me impedir de pensar! Tento, consigo: parece-me que minha cabeça se enche de fumaça... e eis que tudo recomeça: “Fumaça... não pensar... Não quero pensar... Penso que não quero pensar... Não devo pensar que não quero pensar. Porque isso também é um pensamento.” Será que não termina nunca? Meu pensamento sou eu: eis por que não posso parar. Existo porque penso... e não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento — é terrível — se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência. Os pensamentos nascem por trás de mim como uma vertigem, sinto-os nascer atrás de minha cabeça... se eu cedo, virão para a frente, aqui entre meus olhos — e sempre cedo, o pensamento cresce, cresce e fica imenso, me enchendo por inteiro e renovando minha existência. Minha saliva está açucarada, meu corpo está morno; sinto-me insípido. Meu canivete está sobre a mesa. Abro-o. Por que não? De toda maneira seria uma mudança. Coloco minha mão esquerda sobre o bloco e me desfiro uma boa canivetada na palma. O gesto foi muito nervoso; a lâmina escorregou, a ferida é superficial. Sangra. E afinal? O que foi que mudou? De toda maneira olho com satisfação na folha branca, por entre as linhas que tracei há pouco, essa poçazinha de sangue que finalmente deixou de ser eu. Quatro linhas numa folha branca, uma mancha de sangue, é assim que se forma uma bela recordação. Terei de escrever embaixo: “Nesse dia desisti de fazer meu livro sobre o marquês de Rollebon.” Farei um curativo em minha mão? Hesito. Olho para o monótono veiozinho de sangue. Está exatamente começando a coagular. Terminou. Minha pele, em torno do corte, está como que enferrujada. Sob a pele resta apenas uma pequena sensação semelhante às outras, talvez ainda mais apagada. Soam cinco e meia. Levanto-me, minha camisa fria se cola à minha carne. Saio. Por quê? Bem, porque também não tenho razão alguma para não fazê-lo. Ainda que fique, ainda que me encolha em silêncio num canto, não me esquecerei de mim. Estarei aqui, pesarei sobre o assoalho. Eu sou. Compro um jornal no caminho. Sensacional. O corpo da pequena Lucienne foi encontrado! Cheiro de tinta, o papel se amarrota entre meus dedos. O ignóbil indivíduo fugiu. A criança foi violada. Encontraram seu corpo com os dedos crispados na lama. Faço uma bola com o jornal; meus dedos estão crispados no jornal; cheiro de tinta; Deus meu, como as coisas hoje existem com intensidade. A pequena Lucienne foi violada. Estrangulada. Seu corpo ainda existe, sua carne pisada. Ela já não existe. Suas mãos. Ela já não existe. As casas. Caminho entre as casas, estou entre as casas muito teso sobre o calçamento; o calçamento sob meus pés existe, as casas tornam a se fechar sobre mim, como a água se fecha sobre mim sobre o papel em forma de montanha de cisne, eu sou. Sou, existo, penso, logo sou: sou porque penso, por que penso? Já não quero pensar, sou porque penso que não quero ser, penso que eu... porque... bah! Fujo, o ignóbil indivíduo fugiu, seu corpo violado. Ela sentiu aquela outra carne que penetrava na sua. Eu... eis que eu... Violada. Um suave desejo sangrento de estupro que se apodera de mim por trás, muito suave, por trás das orelhas, as orelhas correm atrás de mim, os cabelos ruivos são ruivos em minha cabeça, uma relva molhada, uma relva ruiva, isso ainda sou eu? E esse jornal ainda sou eu? Segurar o jornal, existência contra existência, as coisas existem encostadas umas nas outras, solto esse jornal. A casa brota, ela existe; à minha frente passo rente ao muro, ao longo do longo muro, existo, em frente ao muro, um passo, o muro existe à minha frente, um, dois, atrás de mim, o muro está atrás de mim, um dedo que coça em minha calça, coça, coça e puxa o dedo da criança maculado de lama, a lama em meu dedo que saía do riacho lamacento e torna a cair suavemente, suavemente, amolecia, coçava com menos força que os dedos da menina que estrangulavam, ignóbil indivíduo, raspavam a lama, a terra com menos força, o dedo desliza suavemente, cai de cabeça e acaricia, rolo quente junto a minha coxa; a existência é mole e rola e se sacode, eu me sacudo entre as casas, eu sou, existo, penso, logo me sacudo, sou, a existência é uma queda caída, não cairá, cairá, o dedo raspa na lucarna, a existência é uma imperfeição. O senhor. O belo senhor existe. O senhor sente que existe. Não, o belo senhor que passa, altivo e suave como uma ipomeia, não sente que existe. Desabrochar; minha mão cortada dói, existe, existe, existe. O belo senhor existe, Legião de Honra, existe bigode, é só; como deve ser feliz quem é apenas uma Legião de Honra e um bigode e o resto ninguém vê, ele vê as duas pontas finas de seu bigode dos dois lados do nariz; não penso, logo sou um bigode. Não vê nem seu corpo magro nem seus pés grandes, vasculhando no fundo das calças se encontraria um par de borrachinhas cinzentas. Ele tem a Legião de Honra, os Salafrários têm o direito de existir. “Existo, porque isso é um direito meu.” Tenho o direito de existir, logo tenho o direito de não pensar: o dedo não se ergue. Será que vou... acariciar na plenitude dos lençóis brancos a carne branca plena que se inclina suave, tocar a umidade florida das axilas, os elixires e os licores e as florescências da carne, entrar na existência de outrem, nas mucosas vermelhas com o forte, doce, doce odor de existência, me sentir existir entre os suaves lábios molhados, os lábios vermelhos de sangue pálido, os lábios palpitantes que bocejam todos molhados de existência, todos molhados de pus claro, entre os lábios molhados açucarados que lacrimejam como olhos? Meu corpo de carne que vive, a carne que fervilha e mexe suavemente licores, que mexe creme, a carne que mexe, mexe, mexe, a água doce e açucarada de minha carne, o sangue de minha mão, dói-me, suave em minha carne pisada que mexe, anda, eu ando, fujo, sou um ignóbil indivíduo com a carne pisada, pisada de existência contra essas paredes. Sinto frio, dou um passo, sinto frio, um passo, viro à esquerda, ele vira à esquerda, ele pensa que vira à esquerda, louco, estou louco? Ele diz que tem medo de estar louco, a existência, você vê a existência? Ele para, o corpo para, ele pensa que para, de onde vem? Que faz? Recomeça a andar, sente medo, muito medo, o ignóbil indivíduo, o desejo como uma bruma, o desejo, o nojo, ele diz que está enojado de existir. Está enojado? Cansado e enojado de existir. Está correndo. Que espera? Corre para fugir de si mesmo, para se jogar no lago? Corre, o coração, o coração que bate é uma festa. O coração existe, as pernas existem, a respiração existe, eles existem correndo, respirando, batendo muito frouxo, muito lento, perde o fôlego, perco o fôlego, ele diz que perde o fôlego; a existência agarra meus pensamentos por trás e os desenvolve lentamente por trás; me agarram por trás, me forçam por trás a pensar, portanto a ser alguma coisa, atrás de mim, que respira em leves bolhas de existência, ele é bolha de bruma de desejo, no espelho é pálido como um morto, Rollebon morreu, Antoine Roquentin não morreu, desmaiar; ele disse que queria desmaiar, está correndo, o furão corre (por trás) por trás por trás, a pequena Lucienne atacada por trás, violada pela existência por trás, ele pede misericórdia, tem vergonha de pedir misericórdia, piedade, socorro, socorro logo existo, entra no Bar de la Marine, os espelhinhos do bordelzinho, está pálido nos espelhinhos do bordelzinho, o ruivo grandalhão e mole que se deixa cair no banco, o pick-up tocando existe, tudo gira, existe o pick-up, o coração bate: girem, girem licores da vida, girem gelatinas, xaropes de minha carne, doçuras... O pick-up. When the low moon begins to beam Every night I dream a little dream. A voz grave e rouca surge bruscamente e o mundo se desvanece, o mundo das existências. Uma mulher de carne teve essa voz, cantou diante de um disco, com sua roupa mais bonita, e gravaram sua voz. A mulher: ora! ela existia como eu, como Rollebon, não desejo conhecê-la. Mas há isso. Não se pode dizer que isso existe. O disco que gira existe, o ar atingido pela voz que vibra existe, a voz que se imprimiu no disco existiu. Eu, que escuto, existo. Tudo está cheio, existência por todo lado, densa e pesada e suave. Mas, para além de toda essa suavidade, inacessível, bem perto, tão longe, lamentavelmente, jovem, impiedoso e sereno, existe esse... esse rigor.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 127 | posição 1943 | Adicionado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 20:06:48

Fiz mil notas sem querer
ler para Carol
perdao a embriaguez
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 133 | posição 2031-2032 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 00:25:22

e cada um deles provisoriamente colhe o sentido de sua vida na do outro.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 133 | posição 2032 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 00:25:31

Pqp
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Fazendeiro do Ar (Andrade, Carlos Drummond de)
- Seu destaque na página 10 | posição 142-144 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 04:35:26

IV — DE BOLSO Do lado esquerdo carrego meus mortos. Por isso caminho um pouco de banda.
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Fazendeiro do Ar (Andrade, Carlos Drummond de)
- Sua nota na página 10 | posição 144 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 04:35:45

Puta que o pariu
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu marcador na página 133 | posição 2039 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 05:10:42


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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 135 | posição 2056-2058 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 06:11:53

— O que me desola não é tanto me sentir privado de uma determinada espécie de prazer, mas sim o fato de que todo um ramo da atividade humana me seja estranha... No entanto sou homem e esses quadros foram feitos por homens...
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 135 | posição 2058 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 06:12:05

Pqp
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 136 | posição 2085-2085 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 06:20:10

Essa observação, que cai como uma pedra, como era de supor, aniquila
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 136 | posição 2084-2086 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 06:20:15

— Como é agradável — diz com ar íntimo — poder às vezes conversar assim, livremente. Essa observação, que cai como uma pedra, como era de supor, aniquila nossa conversa já pouco animada. Segue-se um longo silêncio.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 138 | posição 2104-2109 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 06:25:19

Já não os ouço: me irritam. Vão dormir juntos. Sabem disso. Cada um dos dois sabe que o outro sabe. Mas, como são jovens, castos e decentes, como cada um deles quer manter sua autoestima e a do outro, como o amor é uma grande coisa poética que é preciso não chocar, eles vão várias vezes por semana aos bailes e aos restaurantes, para oferecer o espetáculo de suas dancinhas rituais e mecânicas... Afinal é preciso matar o tempo. São jovens, de boa compleição, ainda têm uns trinta anos pela frente. Então não se apressam, dão tempo ao tempo, e não estão errados nisso. Quando tiverem dormido juntos, terão que descobrir outra coisa para encobrir o enorme absurdo de suas existências. Ainda assim... será absolutamente necessário mentir a si mesmos?
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 286 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:02:44

Recontré
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 286-286 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:02:44

rencontrait
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Dicionário Moderno de Francês-Português Porto Editora / Dictionnaire Moderno Français-Portugais Porto Editora (Porto Editora)
- Sua nota ou posição 26436 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:05:40

SortiRê
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Dicionário Moderno de Francês-Português Porto Editora / Dictionnaire Moderno Français-Portugais Porto Editora (Porto Editora)
- Seu destaque ou posição 26436-26436 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:05:40

sortirai
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 287 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:07:31

Najã
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 287-287 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:07:31

nageant
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La Peste (Albert Camus)
- Sua nota na página 19 | posição 287 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:09:08

Suvã
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La Peste (Albert Camus)
- Seu destaque na página 19 | posição 287-287 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:09:08

souvent
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 140 | posição 2132-2132 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 12:56:10

O Autodidata sorri com um pouco de malícia e muita solenidade:
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 144 | posição 2206-2208 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 13:19:43

Meus amigos são todos os homens. Quando vou para o escritório pela manhã, há diante de mim, atrás de mim, outros homens que estão indo para o trabalho. Vejo-os; se me atrevesse, lhes sorriria, penso que sou socialista, que todos eles são a finalidade de minha vida, de meus esforços, e que ainda não sabem disso. É uma festa para mim, senhor.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 144 | posição 2208 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 13:20:04

Cleber Cajuero
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu marcador na página 151 | posição 2304 | Adicionado: sexta-feira, 27 de setembro de 2019 14:08:45


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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 156 | posição 2388-2389 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 01:35:55

como uma palavra meio esquecida da qual só lembramos a primeira sílaba, e o melhor a fazer é desviar os olhos e pensar em
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 156 | posição 2388-2389 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 01:36:01

como uma palavra meio esquecida da qual só lembramos a primeira sílaba,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 157 | posição 2400-2401 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 01:39:54

Gostaria tanto de me abandonar, de esquecer de mim mesmo, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca...
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 157 | posição 2405-2405 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 01:40:32

a Náusea sou eu.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 158 | posição 2412-2412 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 01:44:13

em geral a existência se esconde.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 158 | posição 2412-2412 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 01:44:47

ela somos nós,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 159 | posição 2426-2426 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:00:34

suspiros; minhas narinas transbordavam de um odor verde e pútrido.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 159 | posição 2426-2428 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:01:58

Todas as coisas, suavemente, ternamente, se entregavam à existência como essas mulheres cansadas que se entregam ao riso e dizem com voz comovida: “É bom rir”; exibiam-se, umas em frente às outras, faziam-se a abjeta confidência de sua existência.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 159 | posição 2436-2437 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:09:29

relações em que procurava encerrá-los,
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 142348-142351 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:11:20

vergar v. tr. 1. Dobrar em arco, curvar. 2.  [Figurado] Submeter, sujeitar; abater; humilhar. 3. Fazer mudar de opinião. 4. Apiedar, comover. • v. intr. 5. Curvar-se; dobrar-se; torcer-se, inclinar-se. 6. Ceder ao peso; submeter-se; humilhar-se; ficar acabrunhado. 7. Dar
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 142348-142351 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:11:34

vergar v. tr. 1. Dobrar em arco, curvar. 2.  [Figurado] Submeter, sujeitar; abater; humilhar. 3. Fazer mudar de opinião. 4. Apiedar, comover. • v. intr. 5. Curvar-se; dobrar-se; torcer-se, inclinar-se. 6. Ceder ao peso; submeter-se; humilhar-se; ficar acabrunhado. 7. Dar parte de fraco; condescender; compadecer-se.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 142348-142354 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:12:09

vergar v. tr. 1. Dobrar em arco, curvar. 2.  [Figurado] Submeter, sujeitar; abater; humilhar. 3. Fazer mudar de opinião. 4. Apiedar, comover. • v. intr. 5. Curvar-se; dobrar-se; torcer-se, inclinar-se. 6. Ceder ao peso; submeter-se; humilhar-se; ficar acabrunhado. 7. Dar parte de fraco; condescender; compadecer-se. vergasta s. f. 1. Chibata; vara delgada; verdasca. 2.  [Figurado] Castigo; açoite; flagelo. vergastada s. f. Pancada com vergasta. vergastar v. tr. 1. Bater com vergasta em. 2.  [Por extensão] Açoitar; fustigar.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 142354 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:13:06

Flerte
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 159 | posição 2429-2429 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:15:35

Existindo, era necessário existir até aquele ponto,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 160 | posição 2445-2445 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:27:06

eu era demais para a eternidade.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 160 | posição 2451-2452 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:31:21

Os discursos de um louco, por exemplo, são absurdos em relação à situação
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 160 | posição 2451-2452 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:31:32

Os discursos de um louco, por exemplo, são absurdos em relação à situação em que este se encontra, mas não em relação ao seu delírio. Mas
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 55138-55139 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:37:35

escoriação s. f. 1. Ato ou efeito de escoriar. 2. Depuração. 3. Arranhadura. 4. Esfoladela.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 55139 | Adicionado: domingo, 29 de setembro de 2019 02:37:44

Flerte
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 161 | posição 2462-2471 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 00:25:41

Cada uma de suas qualidades escapava-lhe um pouco, escorria para fora dela, semissolidificava-se, tornava-se quase uma coisa; cada uma era demais na raiz e o cepo inteiro me dava agora a impressão de sair um pouco de si mesmo, de se negar, de se perder num estranho excesso. Raspei o salto do sapato naquela garra preta: gostaria de esfolá-la um pouco. Por nada, por desafio, para fazer surgir no couro curtido o rosa absurdo de uma escoriação: para brincar com o absurdo do mundo. Mas quando afastei meu pé, vi que a casca continuava preta. Preta? Senti que a palavra se esvaziava, perdia seu sentido com uma rapidez extraordinária. Preta? A raiz não era preta, o que havia naquele pedaço de lenho não era o preto — era... outra coisa: o preto, assim como o círculo, não existia. Eu olhava para a raiz: era mais que preta ou quase preta? Mas logo deixei de me interrogar, porque tinha a impressão de estar em terreno conhecido. Sim, já perscrutara com aquela inquietação inúmeros objetos, já tentara — inutilmente — pensar algo acerca deles: e já sentira suas qualidades frias e inertes se esquivando, escorregando entre meus dedos.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 161 | posição 2462-2464 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 00:26:30

Cada uma de suas qualidades escapava-lhe um pouco, escorria para fora dela, semissolidificava-se, tornava-se quase uma coisa; cada uma era demais na raiz e o cepo inteiro me dava agora a impressão de sair um pouco de si mesmo, de se negar, de se perder num estranho excesso.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 161 | posição 2465-2466 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 08:32:49

gostaria de esfolá-la um pouco. Por nada, por desafio, para fazer surgir no couro curtido o rosa absurdo de uma escoriação: para brincar com o absurdo do mundo.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 161 | posição 2466 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 08:34:29

Martin, through the glass darkly, Bergman
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 162 | posição 2475-2475 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 08:36:30

Equívocos: eis o que eram os sons, os perfumes, os sabores.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 162 | posição 2479-2480 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 08:37:32

A qualidade mais simples, a mais indecomponível, encerrava um excesso em si mesma, em relação a si mesma, em seu âmago.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 163 | posição 2491-2494 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 09:00:20

Ora, nenhum ser necessário pode explicar a existência: a contingência não é uma ilusão, uma aparência que se pode dissipar; é o absoluto, por conseguinte a gratuidade perfeita. Tudo é gratuito: esse jardim, essa cidade e eu próprio. Quando ocorre que nos apercebamos disso, sentimos o estômago embrulhado, e tudo se põe a flutuar como na outra noite no Rendez-vous des Cheminots: é isso a Náusea; é isso que os Salafrários — os do Coteau Vert e os outros — tentam esconder de si mesmos com sua ideia de direito.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 163 | posição 2500-2506 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 10:44:37

Teria desejado me subtrair àquele prazer atroz, mas sequer imaginava que isso fosse possível; eu estava dentro; o cepo preto não passava, permanecia ali em meus olhos, como um pedaço demasiado grande fica atravessado numa garganta. Não podia nem aceitá-lo nem recusá-lo. À custa de que esforço ergui os olhos? E realmente os ergui? Não me teria antes aniquilado durante um instante, para renascer no instante seguinte com a cabeça inclinada para trás e os olhos virados para cima? De fato, não tive consciência de uma transição. Mas de repente tornou-se impossível para mim conceber a existência da raiz. Ela se apagara, por mais que eu repetisse: ela existe, ainda está aí, sob o banco, junto de meu pé direito — isso já não significava nada mais. A existência não é algo que se deixe conceber de longe: tem que nos invadir bruscamente, tem que se deter sobre nós, pesar intensamente sobre nosso coração como um grande animal imóvel — do contrário não há absolutamente nada mais.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 164 | posição 2506 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 10:45:36

Cantar para Mari
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 163 | posição 2500-2508 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 10:46:40

Teria desejado me subtrair àquele prazer atroz, mas sequer imaginava que isso fosse possível; eu estava dentro; o cepo preto não passava, permanecia ali em meus olhos, como um pedaço demasiado grande fica atravessado numa garganta. Não podia nem aceitá-lo nem recusá-lo. À custa de que esforço ergui os olhos? E realmente os ergui? Não me teria antes aniquilado durante um instante, para renascer no instante seguinte com a cabeça inclinada para trás e os olhos virados para cima? De fato, não tive consciência de uma transição. Mas de repente tornou-se impossível para mim conceber a existência da raiz. Ela se apagara, por mais que eu repetisse: ela existe, ainda está aí, sob o banco, junto de meu pé direito — isso já não significava nada mais. A existência não é algo que se deixe conceber de longe: tem que nos invadir bruscamente, tem que se deter sobre nós, pesar intensamente sobre nosso coração como um grande animal imóvel — do contrário não há absolutamente nada mais. Não havia nada mais, meus olhos estavam vazios, e minha libertação me encantava. E depois, subitamente, aquilo começou a se mexer diante de meus olhos, movimentos leves e incertos: o vento sacudia a copa da árvore.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 164 | posição 2508 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 10:47:01

Cantar para Mari 2.0
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 165 | posição 2520-2522 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 10:56:40

não vinham de parte alguma, não iam a parte alguma. De repente existiam e a seguir, bruscamente, já não existiam: a existência não tem memória; não conserva nada dos desaparecidos — sequer uma recordação.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 165 | posição 2530-2530 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 10:59:40

tomasse aquele plátano, com suas placas de alopecia,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 165 | posição 2524-2528 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:00:10

“Mas por que”, pensei, “por que tantas existências, já que todas se parecem?” Para que tantas árvores, todas iguais? Tantas existências fracassadas e obstinadamente recomeçadas e novamente fracassadas — como os esforços desajeitados de um inseto caído de costas? (Eu era um desses esforços.) Aquela abundância não dava impressão de generosidade, ao contrário. Era melancólica, miserável, estorvada por si mesma. Aquelas árvores, aqueles grandes corpos canhestros...
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 166 | posição 2536-2540 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:04:41

Cansados e velhos, continuavam a existir, de má vontade, simplesmente porque eram muito fracos para morrer, porque a morte só podia atingi-los do exterior; só as melodias trazem orgulhosamente a morte em si mesmas, como uma necessidade interna; apenas elas não existem. Todo ente nasce sem razão, se prolonga por fraqueza e morre por acaso. Inclinei-me para trás e fechei as pálpebras. Mas as imagens, imediatamente alertadas, de um salto vieram encher de existências meus olhos fechados: a existência é uma plenitude que o homem não pode abandonar.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 166 | posição 2543-2547 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:08:26

Aqueles dois — bruscamente isso me horrorizou —, aqueles dois continuavam a existir em algum lugar de Bouville; em algum lugar — em meio a que odores? — aquele busto suave continuava a se acariciar no contato de tecidos frescos, a se enroscar nas rendas, e a mulher continuava a sentir seu busto existir em seu corpete, a pensar: “meus peitinhos, meus belos frutos”, a sorrir misteriosamente, atenta ao desabrochar de seus seios que lhe faziam cócegas; e depois gritei e dei por mim de olhos arregalados.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 166 | posição 2539 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:09:57

Puta que o pariu
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 167 | posição 2554-2558 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:11:50

Era isso que me irritava: obviamente não havia nenhuma razão para que aquela larva corrediça existisse. Mas não era possível que não existisse. Isso era impensável: para imaginar o nada, era preciso estar já ali, em pleno mundo, vivo e de olhos bem abertos; o nada era apenas uma ideia em minha cabeça, uma ideia existente flutuando naquela imensidão: esse nada não veio antes da existência, era uma existência como outra qualquer e surgida depois de muitas outras.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 167 | posição 2558 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:11:59

Auge
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 167 | posição 2558-2559 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:12:22

toneladas e toneladas de existência, indefinidamente: eu sufocava no fundo desse tédio imenso.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 167 | posição 2559-2559 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 11:12:27

eu sufocava no fundo desse tédio imenso.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 168 | posição 2565-2567 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 12:23:45

Parecia que as coisas eram pensamentos que paravam no caminho, que se esqueciam o que tinham querido pensar e que permaneciam assim, balouçantes, com um sentidozinho estranho que os ultrapassava.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 169 | posição 2585-2586 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 14:01:40

Segue-se um silêncio que Anny não tenta romper.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 171 | posição 2607-2608 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 14:16:42

Falei sorrindo: ela poderia pensar que estou ressentido. Sinto em meus lábios esse sorriso muito falso, estou pouco à vontade.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 171 | posição 2608 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 14:17:02

É foda
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 171 | posição 2617-2618 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 16:10:33

A não ser talvez o de me calar e olhar para ela, realizar em silêncio toda a importância desse acontecimento extraordinário: a presença de Anny em frente a mim.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 172 | posição 2624-2624 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 16:11:25

— Ouse dizer que você se lembrava de meu rosto, você que se queixa.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 173 | posição 2640-2643 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 16:15:35

Esse conhecimento do passado me oprime. Anny nem parece estar evocando lembranças, seu tom não tem o matiz enternecido e distante que convém a esse tipo de ocupação. Parece estar falando de hoje, no máximo de ontem; conservou bem vivas suas opiniões, suas teimosias, seus rancores de antigamente. Para mim, ao contrário, tudo mergulhou numa atmosfera poética; estou disposto a todas as concessões.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 175 | posição 2674-2675 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 16:19:39

Durante um ano você protestou com indignação que não iria ver Violetas imperiales. Depois, num dia em que eu estava doente, foi ver o filme sozinho num cineminha do bairro.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 175 | posição 2682-2684 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 16:20:26

Devo interrogá-la por minha vez? Não creio que ela o deseje. Falará quando julgar que chegou a hora de fazê-lo. Meu coração bate com força. _ Ela diz bruscamente: — Eu mudei. Aí está o começo.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 176 | posição 2690-2691 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 16:22:04

e também essa maneira de suprimir logo no primeiro contato todas as fórmulas mecânicas de cortesia, de amizade, tudo o que facilita as relações entre os homens, de obrigar seus interlocutores a uma perpétua invenção.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 182 | posição 2776-2776 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 21:33:27

Está muito bonita.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 184 | posição 2810-2811 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 21:52:20

estava como que embriagada por uma espécie de êxtase religioso; finalmente entrava numa situação privilegiada. Apoiei-me na parede, tentei fazer os gestos que se impunham.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 184 | posição 2810-2811 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 21:52:27

Ao subir a escada, me sentia muito infeliz, mas estava como que embriagada por uma espécie de êxtase religioso; finalmente entrava numa situação privilegiada.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 185 | posição 2835-2836 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:22:53

Sempre havia algo que soava falso naqueles momentos. Então eu ficava como que perdida. No entanto, tinha a impressão de estar fazendo tudo o que me era possível.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 186 | posição 2850-2850 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:37:22

Não bastava não demonstrar meu sofrimento: era preciso não sofrer.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 189 | posição 2886-2887 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:44:46

Estou antes... surpreso, diante dessa vida que me é dada — dada por nada.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 189 | posição 2889-2890 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:45:13

Tomá-la em meus braços... Para quê? Não posso fazer nada por ela. Está sozinha como eu. Anny diz com voz mais alegre:
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 189 | posição 2889-2890 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:45:18

Tomá-la em meus braços... Para quê? Não posso fazer nada por ela. Está sozinha como eu.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 189 | posição 2897-2898 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:46:00

é belo em frente a mim.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 189 | posição 2897-2898 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:46:05

Os quadros, as estátuas, tudo isso é inutilizável: é belo em frente a mim. A música...
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 189 | posição 2897-2898 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:46:16

— Os quadros, as estátuas, tudo isso é inutilizável: é belo em frente a mim.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 189 | posição 2898 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:46:21

Anny
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 190 | posição 2902-2907 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:48:56

— Mas nunca se sentia arrebatada por seu papel? — Um pouco, por momentos: nunca muito intensamente. O essencial para todos nós era o buraco preto, bem à nossa frente, no fundo do qual havia pessoas que não víamos; a elas, evidentemente, era apresentado um momento perfeito. Mas, sabe, elas não viviam dentro dele: o momento se desenrolava diante delas. E pensa que nós, os atores, vivíamos dentro? Afinal ele não estava em parte alguma, nem de um lado nem do outro da ribalta, não existia; no entanto todo mundo pensava nele. Então, entende, meu querido — diz com voz arrastada e quase cínica —, mandei tudo passear. —
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 190 | posição 2907 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 22:49:16

Para Bianca
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu marcador na página 190 | posição 2911 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 23:28:29


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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 191 | posição 2918-2920 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 23:52:21

Agora não sinto curiosidade: todos esses países, todas essas cidades por onde passou, todos esses homens que a cortejaram e que ela talvez tenha amado, tudo isso era inconsistente para ela, tudo isso, no fundo, lhe era tão indiferente: pequenos clarões de sol na superfície de um mar sombrio e frio.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 192 | posição 2932-2932 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 23:53:34

Não estou apenas arrasado por deixá-la; sinto um medo pavoroso de voltar à minha solidão.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 193 | posição 2950-2951 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 23:58:47

Mas nada ainda era passado, já que ela ainda estava ali, já que ainda era possível revê-la, convencê-la, levá-la comigo para sempre. Ainda não me sentia sozinho.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 193 | posição 2951 | Adicionado: segunda-feira, 30 de setembro de 2019 23:59:20

Mari, eu no Catumbi
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 193 | posição 2953-2953 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:03:15

Pus-me a folhear livros nos mostruários de segunda mão, especialmente as publicações obscenas, pois, apesar de tudo, isso ocupa a mente.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 195 | posição 2981-2982 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:27:17

Acordo sobressaltado. É meia-noite. Faz seis horas que Anny deixou Paris. O barco está no mar. Ela dorme numa cabine e, no tombadilho, o belo sujeito bronzeado fuma cigarros.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 195 | posição 2987-2987 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:30:52

Anny só retornou para me tirar toda esperança.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 195 | posição 2990-2991 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:32:08

Chegará uma época em que me perguntarei: “Mas, afinal, quando estava em Bouville, o que era mesmo que fazia durante o dia?”
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 195 | posição 2990-2992 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:32:18

Chegará uma época em que me perguntarei: “Mas, afinal, quando estava em Bouville, o que era mesmo que fazia durante o dia?” E desse sol, dessa tarde, não restará nada, nem mesmo uma lembrança.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 196 | posição 2995-2995 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:35:37

Agora vou fazer como Anny, vou sobreviver a mim mesmo.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 196 | posição 2998-2999 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:36:23

De quando em quando bocejo com tanta força que as lágrimas me escorrem pelo rosto.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 196 | posição 3003-3003 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:39:25

terei realmente subido, um a um, esses 110 degraus?
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 196 | posição 3005-3006 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 00:40:55

e esse instante, do qual não posso sair, que me prende e me limita por todos os lados, esse instante do qual sou feito já não será senão um sonho indistinto.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 197 | posição 3012-3014 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 07:36:31

Não têm medo, sentem-se em casa. Nunca viram senão a água domada que corre das torneiras, a luz que jorra das lâmpadas quando se aperta o interruptor, as árvores mestiças, bastardas, sustentadas por espeques.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 197 | posição 3012-3015 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 07:36:40

Não têm medo, sentem-se em casa. Nunca viram senão a água domada que corre das torneiras, a luz que jorra das lâmpadas quando se aperta o interruptor, as árvores mestiças, bastardas, sustentadas por espeques. Eles comprovam, cem vezes por dia, que tudo se faz por mecanismo, que o mundo obedece a leis fixas e imutáveis.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 197 | posição 3017-3017 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 07:37:19

as cidades dispõem apenas de um único dia que retorna igualzinho todas as manhãs.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 197 | posição 3018-3019 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 07:37:45

Eles legislam, escrevem romances populistas, casam-se, cometem a extrema tolice de fazer filhos.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 197 | posição 3020-3022 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 07:38:37

respiram-na e não a veem, imaginam que ela está lá fora, a vinte léguas da cidade. Mas eu vejo essa natureza, vejo-a... Sei que sua submissão é preguiça, que ela não tem leis: o que acreditam ser sua constância... Ela tem apenas hábitos e pode mudá-los amanhã.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 200 | posição 3054-3055 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 08:01:32

Mas era preciso que um dia ele se encontrasse sozinho.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 201 | posição 3077-3077 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 08:07:07

Seu nariz parecia enfado em seu rosto como uma faca numa maçã.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 204 | posição 3125-3125 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 08:32:53

O rapazinho parecia beber suas palavras.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 205 | posição 3141-3142 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 08:37:21

Agora estava pousada de palma para cima, descontraída, suave e sensual, com a nudez indolente de uma banhista que se aquece ao sol.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 205 | posição 3142 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 08:37:30

Flerte
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 208 | posição 3189-3189 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:16:21

O Autodidata se deixou cair na cadeira e olhou para a frente com seus olhos tímidos e doces.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 210 | posição 3214-3214 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:21:22

O sol poente iluminou-lhe um momento as costas encurvadas, depois ele desapareceu.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 211 | posição 3224-3225 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:24:17

Sinto-me mais esquecido do que nunca.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 211 | posição 3228-3228 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:25:26

Ainda que o amasse de todo o coração, seria um amor de morta.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 211 | posição 3231-3232 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:26:04

todas as outras consciências do mundo estão também vazias de mim. Isso é esquisito. No entanto sei perfeitamente que existo, que eu estou aqui.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 211 | posição 3233-3233 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:26:27

Tudo o que resta de real em mim é existência que se sente existir.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 212 | posição 3238-3239 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:28:11

A consciência existe como uma árvore, como um fragmento de relva. Está sonolenta, entedia-se. Pequenas existências fugitivas a povoam como pássaros em galhos. Povoam-na e desaparecem.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 212 | posição 3241-3242 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:29:00

Mas nunca se esquece de si mesma; é consciência de ser uma consciência que se esquece de si mesma.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 212 | posição 3245-3246 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:29:54

Há consciência desse corpo que caminha lentamente por uma rua escura. Ele caminha, mas não se afasta. A rua escura não termina, perde-se
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 212 | posição 3243-3246 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:30:11

Ele passa lentamente, cheio de sangue, manchado, e seus grandes olhos lacrimejam. Ele não está entre as paredes, não está em parte alguma. Desvanece-se, um corpo encurvado o substitui com uma cabeça ensanguentada, afasta-se a passos lentos, a cada passo parece parar, não para nunca. Há consciência desse corpo que caminha lentamente por uma rua escura. Ele caminha, mas não se afasta. A rua escura não termina, perde-se no nada. Não está entre as paredes, não está em parte alguma.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 212 | posição 3246 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:30:21

O nada!!
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 213 | posição 3253-3254 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:31:46

“É inútil negar, eu o vi.” E a cena recomeçaria. Ele pensa: “Meu Deus, se não tivesse feito aquilo, se pudesse não ter feito aquilo, se tudo pudesse não ser verdade!”
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 213 | posição 3254 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:32:14

2015
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 213 | posição 3256-3257 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:33:07

libertada do homem que a habitava,
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 213 | posição 3263-3264 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:34:22

É um puro sofrimento de encruzilhadas, um sofrimento esquecido — que não pode se esquecer de si mesmo.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 213 | posição 3264 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:34:42

Fernando Pessoa
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 216 | posição 3300-3300 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 09:41:57

fazer alguma coisa é criar existência — e já há existência suficiente sem isso.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 216 | posição 3312-3313 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 12:28:29

pensam que a beleza é compassiva para com eles. Imbecis.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 217 | posição 3324-3333 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:14:29

Não, certamente não se pode dizer que essa dorzinha de diamante, que gira sobre o disco e me deslumbra, seja compassiva. Nem sequer irônica: ela gira alegremente, toda ocupada consigo mesma; cortou como uma foice a insossa intimidade do mundo e agora gira, e todos nós, Madeleine, o homem grandalhão, a patroa, eu mesmo e as mesas, os bancos, o espelho manchado, os copos, todos nós que nos abandonávamos à existência, porque estávamos entre nós, somente entre nós, fomos surpreendidos por ela no desalinho, no relaxamento quotidiano: tenho vergonha por mim e pelo que existe diante dela. Ela não existe. É até irritante; se me levantasse, se arrancasse esse disco do prato que o sustenta e o quebrasse em dois, ela não seria atingida por mim. Ela está para além — sempre para além de alguma coisa, de uma voz, de uma nota de violino. Revela-se, delgada e firme, através de espessuras e espessuras de existência e, quando queremos captá-la, encontramos apenas entes, esbarramos em entes desprovidos de sentido. Ela está por trás deles: sequer a ouço, ouço sons, vibrações do ar que a revelam. Ela não existe, posto que nela nada é demais: é todo o resto que é demais em relação a ela. Ela é.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 218 | posição 3334-3336 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:15:00

encontro o mesmo desejo: expulsar a existência para fora de mim, esvaziar os instantes de sua gordura, torcê-los, secá-los, me purificar, endurecer, para produzir finalmente o som claro e preciso de uma nota de saxofone.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 218 | posição 3334-3336 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:15:06

encontro o mesmo desejo: expulsar a existência para fora de mim, esvaziar os instantes de sua gordura, torcê-los, secá-los, me purificar, endurecer, para produzir finalmente o som claro e preciso de uma nota de saxofone. Isso poderia até constituir um apólogo:
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 218 | posição 3334-3336 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:15:15

Aliás, só quis isso; eis a chave de minha vida: no fundo de todas essas tentativas que parecem desvinculadas, encontro o mesmo desejo: expulsar a existência para fora de mim, esvaziar os instantes de sua gordura, torcê-los, secá-los, me purificar, endurecer, para produzir finalmente o som claro e preciso de uma nota de saxofone.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 219 | posição 3346-3346 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:18:16

Também isso eu compreendo: o disco se arranha e se gasta, a cantora talvez esteja morta; eu vou embora, vou tomar meu trem.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 219 | posição 3346-3348 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:18:35

Mas por trás do ente que cai de um presente para o outro, sem passado, sem futuro, por trás desses sons que dia a dia se decompõem, se lascam e deslizam para a morte, a melodia permanece a mesma, jovem e firme, como uma testemunha implacável.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Sua nota na página 219 | posição 3348 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:19:39

In the mood for love
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 221 | posição 3376-3377 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:27:28

Eles são um pouco como mortos para mim, um pouco como heróis de romance; purificaram-se do pecado de existir.
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A Náusea (Jean-Paul Sartre)
- Seu destaque na página 222 | posição 3394-3396 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:30:50

Talvez um dia, pensando exatamente nesse momento, nessa hora sombria em que aguardo, as costas encurvadas, o momento de subir no trem, talvez sentisse meu coração batendo mais rápido e dissesse a mim mesmo: “Foi naquele dia, naquela hora, que tudo começou.” E conseguiria — no passado, somente no passado — me aceitar.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 172 | posição 2635-2636 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:38:24

Montaigne é cauteloso com o êxtase e despreza o excesso de bebida, que a seu ver é um êxtase do corpo, e não da mente.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 172 | posição 2637-2638 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:38:48

A embriaguez é um vício grosseiro que rebaixa o homem ao estado animal.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 173 | posição 2642-2642 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:44:55

Mas, também, por serem igualmente vícios não são vícios iguais.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 173 | posição 2653-2653 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:47:53

É perigoso confundir a ordem e a importância dos pecados:
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 174 | posição 2655-2655 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:47:58

Cada um insiste no pecado do companheiro e alivia o seu próprio.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 174 | posição 2667-2668 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:50:56

O pior estado do homem é quando ele perde o conhecimento e o controle de si.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Sua nota na página 174 | posição 2668 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:51:21

Pqp
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 174 | posição 2667-2669 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:53:37

O pior estado do homem é quando ele perde o conhecimento e o controle de si. E diz-se, entre outras coisas, que assim como o mosto fermentando num recipiente puxa à tona tudo o que há no fundo, assim o vinho faz transbordarem os segredos mais íntimos dos que o tomaram em excesso,
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Sua nota na página 175 | posição 2669 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 14:53:45

Brabo
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Sua nota na página 178 | posição 2715 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 15:07:15

Drink
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 178 | posição 2715-2715 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 15:07:16

Mas usava-o mal.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 178 | posição 2717-2718 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 15:08:33

É preciso ter o gosto mais despretensioso e mais livre. Para ser um bom bebedor não se deve ter o paladar tão delicado.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 178 | posição 2720-2721 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 15:09:19

Os antigos varavam noites inteiras nesse exercício e costumavam consagrar-lhe os dias.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 178 | posição 2724-2724 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 15:10:33

Deveríamos dedicar mais espaço ao prazer que queremos ter em conta durante nossa vida.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 180 | posição 2755-2756 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 15:18:52

Platão proíbe as crianças de beberem vinho antes dos dezoito anos e de se embriagarem antes dos quarenta.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 180 | posição 2759-2760 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 21:52:44

pois a embriaguez é uma prova boa e segura da natureza de cada um, ao mesmo tempo que é capaz de dar às pessoas de idade a coragem de se divertirem em danças e na música, coisas úteis e que não ousam empreender em estado normal.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 180 | posição 2760-2761 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 21:52:57

Pois o vinho é capaz de fornecer à alma temperança, e ao corpo, saúde.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 181 | posição 2773-2776 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:02:41

Lucrécio, esse grande poeta, por mais que tenha filosofado e resistido, ei-lo entregue à insensatez por uma poção de amor. Pensam eles que uma apoplexia não pode fazer Sócrates perder a consciência, tanto quanto a um carregador? Uns esqueceram o próprio nome pela força de uma doença e outros tiveram o juízo destruído por um ferimento leve. Um homem é tão sábio quanto quiser, mas é, afinal, um homem: o que há de mais fraco, mais miserável, mais insignificante? A sabedoria não fortalece nossas disposições naturais.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 182 | posição 2786-2788 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:09:14

Humani a se nihil alienum putet.240 Que ele pense que nada que é humano lhe seja alheio.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 543 | posição 8325-8326 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:09:37

240 Terêncio, Heautontimorumenos, 77; citado por Cícero,
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 543 | posição 8325-8326 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:09:43

240 Terêncio, Heautontimorumenos, 77; citado por Cícero, De officiis,
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 543 | posição 8325-8327 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:10:01

240 Terêncio, Heautontimorumenos, 77; citado por Cícero, De officiis, I, IX, 30.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 543 | posição 8325-8327 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:10:08

240 Terêncio, Heautontimorumenos, 77; citado por Cícero, De officiis, I, IX, 30.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 183 | posição 2795-2797 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:14:51

Todas as ações fora dos limites habituais estão sujeitas a uma sinistra interpretação, porquanto nosso gosto não se adapta nem ao que está acima dele nem ao que está abaixo. Deixemos essa outra escola que professa expressamente
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 183 | posição 2795-2796 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:15:03

Todas as ações fora dos limites habituais estão sujeitas a uma sinistra interpretação, porquanto nosso gosto não se adapta nem ao que está acima dele nem ao que está abaixo.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 183 | posição 2804-2804 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:23:18

dilacerada pelas tenazes que mordem e perfurada pelas sovelas
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 183 | posição 2805-2806 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:23:55

Minha constância te dá mais trabalho do que tua crueldade dá a mim;
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 183 | posição 2805-2806 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:24:11

Minha constância te dá mais trabalho do que tua crueldade dá a mim;
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 184 | posição 2811-2812 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:28:38

quando Epicuro decide ser afagado pela gota e, recusando o repouso e a saúde, desafia de coração alegre os males, e desprezando as dores mais agudas, desprezando combatê-las e lutar contra elas, conclama e deseja dores fortes, lancinantes e dignas dele:
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 184 | posição 2816-2819 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:29:24

então quem não conclui que são arroubos lançados por um coração longe de seu abrigo? Nossa alma não conseguiria atingir tal altura enquanto não sai de seu lugar. Ela tem de deixá-lo e elevar-se, e, pegando o freio nos dentes, que leve e arrebate seu homem para tão longe que, depois, ele mesmo se espante do que fez.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Sua nota na página 184 | posição 2819 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:29:41

Puta que o pariu
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 184 | posição 2820-2823 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:30:45

Como também os poetas costumam ser tomados de admiração por suas próprias obras e já não reconhecem o rastro por onde passaram em tão bela corrida: é o que neles também se chama ardor e loucura. E assim como diz Platão que em vão um homem equilibrado bate à porta da poesia, assim também diz Aristóteles que nenhuma alma excelente está isenta de um grão de loucura.
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Os ensaios (Michel Montaigne)
- Seu destaque na página 185 | posição 2824-2826 | Adicionado: terça-feira, 1 de outubro de 2019 22:33:34

Platão argumenta assim que a faculdade de profetizar está “acima de nós”, que precisamos estar “fora de nós” para atingi-la: nossa prudência deve estar ofuscada pelo sono ou por alguma doença, ou tirada de seu lugar por um êxtase celeste.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 62051 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 01:50:37

Mari Ana
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 62051-62051 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 01:50:37

fautriz.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 114627-114628 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 01:54:11

quedo |ê| adj. 1. Quieto. 2. Imóvel; parado. 3. Tranquilo; sereno; calmo; sossegado.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 114628 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 01:54:22

Flerte
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 169 | posição 2578-2579 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 01:55:25

“A mim, também, atenção concedei, porque a dor, mais que a todos, o coração me angustia.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 170 | posição 2606-2609 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 11:36:14

Foi encontrá-la na sala, sentada no tear, quando um duplo manto tecia de púrpura. Nele bordava os combates que os picadores Troianos e Aqueus de couraça de bronze, por sua causa, travavam sob o ímpeto de Ares violento.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 171 | posição 2609 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 11:36:50

Cantar para Mari
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 172 | posição 2630-2633 | Adicionado: quarta-feira, 2 de outubro de 2019 11:40:29

Eles todos, por velhos, 150    já se encontravam isentos das lutas; contudo primavam pela eloquência eles todos, tal como cigarras, que o canto claro e agradável, pousadas nos ramos das árvores, soltam.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 172 | posição 2637-2641 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:04:37

“É compreensível que os Teucros e Aquivos de grevas bem-feitas por tal mulher tanto tempo suportem tão grandes canseiras! Tem-se, realmente, a impressão de a uma deusa imortal estar vendo. Mas, ainda assim, por mais bela que seja, de novo reembarque; 160    não venha a ser, em futuro, motivo da ruína dos nossos.”
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 177 | posição 2701-2704 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:12:00

Mas se do peito fazia soar a voz forte e agradável e um turbilhão de palavras, qual neve no tempo do inverno, com Odisseu ninguém mais suportara qualquer paralelo.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 98202-98204 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:22:03

odre |ô| s. m. 1. Vasilha para líquidos feita da pele de certos animais. 2.  [Figurado] Pessoa muito gorda. 3. Bêbedo. 4. Pessoa cheia de: Um odre de vaidade.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 98204 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:22:27

Puta que o pariu
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 183 | posição 2799-2803 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:36:33

“Zeus pai, que no Ida demoras, senhor poderoso e supremo! faze que venha a encontrar o fim triste e para o Hades afunde o causador desta guerra, que veio por sobre nós todos. Mas, alcançada a concórdia, os demais amizade juremos.”
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 183 | posição 2803 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:36:42

Brabo
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 188 | posição 2875-2876 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:52:03

Reconheceu logo a deusa, com ver-lhe o pescoço belíssimo, os seios ricos de encantos e os olhos inquietos e vivos.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 188 | posição 2876 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:52:12

Mari
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 189 | posição 2889-2890 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 01:53:34

Não voltarei para o tálamo, pois vergonhoso seria participar-lhe do leito;
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 191 | posição 2922-2925 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 02:03:19

Lacedemônia querida, no tempo em que foste raptada e de numa ilha rochosa o primeiro conúbio gozarmos. Hoje, mais doce paixão, por tua casa, de mim se apodera.” Tendo
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 191 | posição 2919-2925 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 02:03:25

Ora, concordes, gozemos do amor as carícias, no leito, pois nunca tive os sentidos tomados por tanta ebriedade, nem mesmo quando em navios velozes te trouxe da pátria, Lacedemônia querida, no tempo em que foste raptada e de numa ilha rochosa o primeiro conúbio gozarmos. Hoje, mais doce paixão, por tua casa, de mim se apodera.”
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 191 | posição 2924 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 02:03:41

Macho
flerte
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 194 | posição 2965-2967 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 13:57:09

20    A essas palavras as deusas morderam os lábios com força. Juntas se achavam, planejando a extinção dos guerreiros Troianos! Palas Atena
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 194 | posição 2965-2968 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 13:58:06

A essas palavras as deusas morderam os lábios com força. Juntas se achavam, planejando a extinção dos guerreiros Troianos! Palas Atena calada ficou, sem dizer coisa alguma, ainda que contra Zeus pai transbordasse de raiva selvagem.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 33771-33772 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 13:59:55

compunção s. f. 1. Pesar de haver cometido ação má ou pecaminosa. 2. Manifestação desse pesar.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 195 | posição 2984-3009 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 14:11:15

Ora outra coisa te quero dizer; guarda-a bem no imo peito: 40    caso me ocorra o desejo, em qualquer ocasião, de algum burgo vir a destruir, habitado por homens, que a ti sejam caros, deixa-me agir livremente, não quero que venhas obstar-me, que esta consinto destruas bem contra o que eu próprio quisera. Entre as cidades que os homens nascidos da terra construíram sob a luz viva do Sol e as estrelas do Céu, refulgentes, nenhuma tanto prezava como Ílio de muros sagrados, bem como Príamo e o povo do velho monarca lanceiro. Em meus altares jamais sacrifícios condignos faltaram, nem libações, nem perfumes, as honras, em suma, devidas.” 50    Hera, a magnífica, de olhos bovinos, lhe disse, em resposta: “Três prediletas cidades, meu peito, realmente, distingue: Argos, Esparta e Micenas, construída com ruas muito amplas. Todas destrói, quando odiosas, enfim, para ti se tornarem, que não pretendo a isso opor-me, ou pedir-te, sequer, que o não faças. Pois se, realmente, tentasse evitar que destruídas ficassem, nada obteria, pois muito mais que eu és dotado de força. Os meus trabalhos, contudo, não devem ficar infrutuosos. Sou, também, deusa imortal e a ascendência que tens também tenho, filha mais velha de Crono, deidade de mente tortuosa. 60    Sim, não somente por esse motivo; também por chamar-me tua consorte e imperares em todos os deuses eternos. Reciprocar concessões é, por isso, dever de nós ambos: cedo-te um pouco; outro pouco me cede, que o exemplo, sem dúvida, hão de os demais imitar.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 195 | posição 2984-3009 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:29:55

Ora outra coisa te quero dizer; guarda-a bem no imo peito: 40    caso me ocorra o desejo, em qualquer ocasião, de algum burgo vir a destruir, habitado por homens, que a ti sejam caros, deixa-me agir livremente, não quero que venhas obstar-me, que esta consinto destruas bem contra o que eu próprio quisera. Entre as cidades que os homens nascidos da terra construíram sob a luz viva do Sol e as estrelas do Céu, refulgentes, nenhuma tanto prezava como Ílio de muros sagrados, bem como Príamo e o povo do velho monarca lanceiro. Em meus altares jamais sacrifícios condignos faltaram, nem libações, nem perfumes, as honras, em suma, devidas.” 50    Hera, a magnífica, de olhos bovinos, lhe disse, em resposta: “Três prediletas cidades, meu peito, realmente, distingue: Argos, Esparta e Micenas, construída com ruas muito amplas. Todas destrói, quando odiosas, enfim, para ti se tornarem, que não pretendo a isso opor-me, ou pedir-te, sequer, que o não faças. Pois se, realmente, tentasse evitar que destruídas ficassem, nada obteria, pois muito mais que eu és dotado de força. Os meus trabalhos, contudo, não devem ficar infrutuosos. Sou, também, deusa imortal e a ascendência que tens também tenho, filha mais velha de Crono, deidade de mente tortuosa. 60    Sim, não somente por esse motivo; também por chamar-me tua consorte e imperares em todos os deuses eternos. Reciprocar concessões é, por isso, dever de nós ambos: cedo-te um pouco; outro pouco me cede, que o exemplo, sem dúvida, hão de os demais imitar.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 110036-110037 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:45:32

possante adj. 2 g. 1. Que tem muita força; forte; robusto. 2. Poderoso. 3. Grande, forte, majestoso. 4. Valoroso.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 110037 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:45:42

Flerte
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 120628-120629 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:54:31

ressupino adj. 1. Voltado para cima; deitado de costas. 2.  [Botânica] Que tem voltadas para cima as partes que, em plantas da mesma espécie, estão ordinariamente voltadas para baixo.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 120629 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:54:55

Flerte
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 29398-29400 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:59:04

chanfradura s. f. 1. Ato de chanfrar. 2. Chanfro. 3. Sinuosidade. 4. Recorte curvilíneo nas extremidades de um terreno ou objeto.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 29400 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:59:11

Flerte
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 128209-128211 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:59:25

sinuosidade s. f. 1. Qualidade ou estado do que é sinuoso. 2. Volta; curva; seio; chanfradura. 3. Rodeio. 4. Tergiversação. sinuoso |ô| adj. Ondulado; flexuoso; tortuoso. • Plural: sinuosos
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 128211 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 21:59:31

Flerte
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 127602-127603 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:02:58

silvar v. intr. Apitar; sibilar.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 127603 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:03:07

Flerte
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 55606 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:08:13

Flerte
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 55605-55606 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:08:14

esflorar v. tr. 1. Tirar a flor a. 2. Desflorar.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 202 | posição 3090-3091 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:29:43

tingiram de vivo sangue, que às pernas desceu, e depois aos maléolos.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 209 | posição 3198-3198 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:46:04

Vendo-os, o chefe de heróis, Agamémnone, fica exultante,
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 210 | posição 3208-3214 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:48:05

Idomeneu, chefe insigne dos homens de Creta, lhe disse: “Filho de Atreu, Agamémnone, fiel companheiro hei de ser-te, tal como sempre me viste e de acordo com o meu juramento. Trata, porém, de espertar os demais combatentes Aquivos, para que logo comece a batalha, uma vez que as sagradas 270    juras os Teucros violaram. A Morte a eles todos espera, por terem sido os primeiros a os pactos violar sacrossantos.”
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 9562-9566 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:50:11

antojar v. tr. 1. Pôr diante dos olhos. 2. Figurar na imaginação. 3. Desejar, apetecer. • Sinônimo geral: ANTOLHAR  ‣ Etimologia: espanhol antojar antojo |ô| s. m. 1. Ato ou efeito de antojar. 2. Apetite, desejo; capricho. • Sinônimo geral: ANTOLHO • Plural: antojos |ô|.  ‣ Etimologia: derivação regressiva de antojar
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 9566 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 22:50:22

Flerte
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 212 | posição 3246-3252 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:02:28

“Não queira alguém, por confiar na perícia e na própria coragem, só, das fileiras distantes, lutar contra os homens de Troia; que não recue ninguém; facilmente seríeis vencidos. Uso só faça da lança o guerreiro que o carro do imigo perto do seu observar, que há de ser muito mais vantajoso. Nossos maiores puderam entrar em cidades e muros por terem sempre adotado essa norma, ardorosos, na luta.”
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 213 | posição 3252 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:02:40

Nestor
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 215 | posição 3282-3291 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:13:33

340    por que ficais a de parte, esperando que o exemplo vos deem? O lugar que a ambos compete é na frente das filas Acaias, no mais aceso da pugna; ali, sim, é que estar deveríeis. Quando há banquete, sois vós os primeiros a ouvir meu convite, sempre que festa os Aqueus para os nossos anciões preparamos. Tendes prazer em comer nessas festas opimos assados e de esvaziar vossos copos repletos de vinho gostoso, e ora ficais esperando que dez esquadrões dos Aquivos vos antecedam com o bronze cruel para a luta encetarem?”
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 215 | posição 3291 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:13:48

Puta que o pariu
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 216 | posição 3305-3306 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:18:50

Vamos! se alguma palavra mais áspera, acaso, te disse, resolveremos depois; que os eternos aos ventos a entreguem.”
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 216 | posição 3306 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:19:00

Risos
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 220 | posição 3360-3363 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:26:56

Vamos, pensemos, agora, no ardor impetuoso da guerra.” Ao dizer isso, do carro pulou, sem que as armas soltasse. 420    Tão rijamente soava no peito do herói a armadura, quando marchava, que até nos mais fortes pavor causaria.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 220 | posição 3363 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:27:07

Brabo
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 17008-17008 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:32:12

balido s. m. Berro da ovelha.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 17008 | Adicionado: quinta-feira, 3 de outubro de 2019 23:32:20

Flerte
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 222 | posição 3402-3403 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 09:43:54

que fez o crânio partir-se-lhe, entrando até o cérebro a ponta aênea da lança potente; cobriram-lhe as trevas os olhos.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 225 | posição 3442-3445 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 09:58:11

Enraivecido Odisseu por motivo da morte do amigo, na fronte a lança lhe acerta, saindo-lhe a ponta de bronze no lado oposto da testa. Cobriram-lhe as trevas os olhos.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 227 | posição 3466-3467 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 10:05:59

pelo solo derramam-se os intestinos; cobriram-lhe as trevas os olhos brilhantes.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 227 | posição 3467 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 10:06:11

pqp
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 227 | posição 3472-3473 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 10:06:28

fere-lhe o ventre, com o que, mais depressa, o privou da existência.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 227 | posição 3472 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 10:06:38

Pqp
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 227 | posição 3480-3485 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 10:10:52

De forma alguma dissera tratar-se de feitos somenos 540    quem, sem se ver atingido por golpes do bronze cortante, atravessasse a batalha levado por Palas Atena, que, pela mão segurando-o, o livrasse da fúria dos dardos, pois numerosos guerreiros Troianos e Acaios naquele dia se achavam sem vida na poeira, uns ao lado dos outros.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 228 | posição 3485 | Adicionado: sexta-feira, 4 de outubro de 2019 10:11:05

Confuso
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Estrela da manhã (Manuel Bandeira)
- Seu marcador na página 13 | posição 190 | Adicionado: sábado, 5 de outubro de 2019 15:16:59


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O amor natural (Andrade, Carlos Drummond de)
- Seu marcador na página 12 | posição 183 | Adicionado: segunda-feira, 7 de outubro de 2019 11:59:31


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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 232 | posição 3544-3545 | Adicionado: segunda-feira, 7 de outubro de 2019 19:03:06

frecheira lhe foi de vantagem, nem a
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 232 | posição 3549-3555 | Adicionado: segunda-feira, 7 de outubro de 2019 19:09:54

Foi por Meríones morto o nascido de Téctone Harmônida, 60    Féreclo, em todas as artes manuais mui notável artífice. A de olhos glaucos, Atena, especial afeição lhe dicava. O fabricante ele fora das naves de Páris simétricas, que tinham sido o princípio da grande desgraça dos Teucros e dele próprio, por ter desprezado os orác’los divinos.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 232 | posição 3555 | Adicionado: segunda-feira, 7 de outubro de 2019 19:10:13

Pesquisa
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 255 | posição 3907-3915 | Adicionado: quinta-feira, 10 de outubro de 2019 14:46:06

Hera, a magnífica, e Atena, que o fato observavam, se voltam para Zeus grande, com termos mordazes, tentando irritá-lo. 420    A de olhos glaucos, Atena, primeiro, desta arte lhe fala: “Não ficarás agastado, Zeus pai, com o que eu vou revelar-te? Creio que a Cípria tentou, novamente, saudar uma Acaia para passar-se aos Troianos, aos quais tanto afeto dedica. Quando animava uma dessas Aquivas de manto bem-feito, a delicada mãozinha espetou na dourada fivela.”
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 256 | posição 3915 | Adicionado: quinta-feira, 10 de outubro de 2019 14:46:17

Afrodite
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Lira dos Vinte Anos (Álvares de Azevedo)
- Seu destaque na página 155 | posição 2367-2367 | Adicionado: sexta-feira, 11 de outubro de 2019 01:40:45

Ai! teu sonho não morra tão cedo Como a vida em meu peito morreu!
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Lira dos Vinte Anos (Álvares de Azevedo)
- Sua nota na página 155 | posição 2367 | Adicionado: sexta-feira, 11 de outubro de 2019 01:40:59

Mari
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Iluminações & Uma cerveja no inferno (Trad. Mário Cesariny) (Arthur Rimbaud)
- Seu destaque na página 18 | posição 207-208 | Adicionado: sexta-feira, 11 de outubro de 2019 10:18:03

Quando somos muito fortes — quem foge? muito alegres — quem cai no ridículo? Quando somos muito maus, que fariam de nós?
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Iluminações & Uma cerveja no inferno (Trad. Mário Cesariny) (Arthur Rimbaud)
- Seu destaque na página 18 | posição 213-213 | Adicionado: sexta-feira, 11 de outubro de 2019 10:19:05

e das regas — porque não, já, o babete
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 263 | posição 4019-4019 | Adicionado: sexta-feira, 11 de outubro de 2019 12:57:11

Possa o respeito recíproco a todos na pugna dar ânimo.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 269 | posição 4116-4117 | Adicionado: sexta-feira, 11 de outubro de 2019 17:34:36

Leva o Destino potente a lutar contra o divo Sarpédone,
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu marcador na página 269 | posição 4114 | Adicionado: sexta-feira, 11 de outubro de 2019 17:34:51


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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Seu destaque ou posição 82814-82817 | Adicionado: sábado, 12 de outubro de 2019 22:28:55

látego s. m. 1. Chicote de couro ou de corda entrançada; azorrague. 2.  [Figurado] Castigo; flagelo. 3.  [Figurado] Estímulo. 4. A corda da cilha e da sobrecarga, vulgarmente chamada enquerideira.  • Confrontar: latejo.
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Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
- Sua nota ou posição 82817 | Adicionado: sábado, 12 de outubro de 2019 22:29:21

Flerte
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 295 | posição 4518-4632 | Adicionado: segunda-feira, 14 de outubro de 2019 19:12:21

Glauco, nascido de Hipóloco, e o grande e valente Tidida, 120    cheios de ardor, se avistaram no meio do teatro da luta, e, caminhando um para o outro, afinal frente a frente ficaram. Disse Diomedes, de voz retumbante, falando primeiro: “Homem de grande valor, de que estirpe mortal te originas? Ainda não tive ocasião de te ver nas batalhas, que aos homens glória concedem; no entanto, os demais, em coragem, superas, pois vens, agora, enfrentar a minha lança de sombra comprida. Os que se medem comigo são filhos de pais sem ventura. Mas, se um dos deuses tu fores, que moram no Olimpo vastíssimo, sabe que contra os eternos não quero em combate medir-me. 130    Nem mesmo o filho de Driante, Licurgo valente, mui longa vida alcançou, por haver contra os deuses celestes lutado. Ébrio, uma vez, de Dioniso ele as amas, violento, repele do sacro monte de Nisa. Tomadas de medo indizível, quando o homicida Licurgo, contra elas, brandiu a aguilhada, os tirsos jogam no chão. Aterrado, nas ondas marinhas corre Dioniso a lançar-se, onde, trêmulo, Tétis ao seio o recolheu, que assaz medo sentia do herói com seus gritos. Mas, depois disso, contra ele irritaram-se os deuses felizes, tendo-o cegado Zeus Crônida. A vida bem curta ele teve, 140    por se ter feito odioso aos eternos que moram no Olimpo. Por isso tudo, não quero lutar contra os deuses beatos. Mas se, contrário, és humano e te nutres dos frutos da terra, chega-te, e logo hás de ver-te, por certo, no extremo funesto.” Disse-lhe, então, em resposta o preclaro rebento de Hipóloco: “Grande Tidida, por que saber queres a minha ascendência? As gerações dos mortais assemelham-se às folhas das árvores, que, umas, os ventos atiram no solo, sem vida; outras, brotam na primavera, de novo, por toda a floresta viçosa. Desaparecem ou nascem os homens da mesma maneira. 150    Já que desejas, porém, conhecer meus avós, vou dizer-te qual seja a minha progênie, por muitos, decerto, sabida. No centro de Argos, nutriz de cavalos, os muros se elevam de Éfira, sob o comando do mais astucioso dos homens, Sísifo, de Éolo filho; de Sísifo Glauco proveio. Belerofonte, o admirável, de Glauco a existência recebe. Deram-lhe os deuses beleza e vigor varonil aliado a gênio afável. Mas Preto, insidioso, da pátria o repele, pois tinha mais influência do que ele entre os homens Argivos, por os haver submetido ao seu cetro o nascido de Crono. 160    A diva Anteia, consorte de Preto, em desejos ardia de, às escondidas, unir-se-lhe, sem ter, contudo, abalado Belerofonte prudente, de castos e leais pensamentos. Vira-se, então, para o esposo, e, falseando a verdade, lhe disse: ‘Ou tira a vida de Belerofonte, ou consente em morreres. Preto, por ter querido ele obrigar-me a um ilícito amplexo.’ A essas palavras, o rei foi tomado de cólera ingente. Não quis da vida privá-lo, por ter, em verdade, receio; mas para a Lícia o enviou, tendo escrito uns sinais mui funestos em duas tábuas fechadas, que ao sogro mandou que entregasse, 170    para que viesse a morrer, visto morte os sinais inculcarem. Em companhia dos deuses, se pôs a caminho o guerreiro. Quando, porém, alcançou a corrente do Xanto, na Lícia, foi pelo rei do amplo reino, por modo benigno, acolhido. Em nove dias matou nove bois, que aos celestes oferta: mas, quando, ao décimo, a Aurora de dedos de rosa surgiu, fez-lhe perguntas, de ver os sinais desejoso mostrando-se que de seu genro, da parte de Preto, lhe tinha trazido. Logo, porém, que o sentido aventou dos fatais caracteres, primeiramente, a incumbência lhe deu de extinguir a Quimera 180    originária, não de homens mortais, mas de estirpe divina: era, na frente, leão; drago, atrás, e, no meio, quimera, que borbotões horrorosos de fogo lançava das fauces. Certo do amparo dos deuses, sozinho, ele o monstro aniquila. Teve, depois, de lutar contra os Sólimos fortes, sozinho, seu mais terrível encontro, segundo ele próprio o dizia. Como terceira incumbência, destruiu as viris Amazonas. Outra perfídia contra ele, ao voltar, o hospedeiro excogita: tendo escolhido os melhores guerreiros da Lícia vastíssima, numa emboscada os postou; não reviu nenhum deles a pátria; 190    Belerofonte, o impecável, a todos privou da existência. Reconhecendo, afinal, que um dos deuses o tinha gerado, soube retê-lo no reino, fazendo-o casar com a filha e dividindo com ele a honraria e o poder da realeza. Deram-lhe os Lícios, também, um pedaço excelente de terra, própria, igualmente, para uso do arado e cultivo de frutas. Três filhos teve da esposa o magnânimo Belerofonte; foram: Hipóloco, Isandro e Laodâmia gentil e formosa. A esta se uniu, em conúbio amoroso, Zeus grande e prudente, tendo gerado ao guerreiro esforçado, o divino Sarpédone. 200    Mas, quando, alfim, se tornara também, pelos deuses, odiado, e pelos campos Aleios famosos vagava sozinho, a alma por dentro a roer e a fugir do convívio dos homens, Ares, o deus insaciável, a Isandro privou da existência em um combate com os Sólimos fortes, de fama excelente. Ártemis, das rédeas de ouro, zangada, matou a Laodâmia. Enquanto a mim, tenho orgulho de filho chamar-me de Hipóloco, que me mandou para Troia sagrada, insistindo comigo para ser sempre o primeiro e de todos os mais distinguir-me, sem desonrar a linhagem dos nossos, que sempre entre os fortes 210    de Éfira foram contados, bem como na Lícia vastíssima. Esse o meu sangue, essa a estirpe, que só de nomear me envaideço.” Isso disse ele; alegrou-se Diomedes, de voz retumbante; finca a hasta brônzea na terra, de heróis a nutriz generosa, e, com palavras afáveis, saudou o pastor de guerreiros: “Hóspede és meu desde o tempo de nossos avós, vejo-o agora. Por vinte dias seguidos Eneu, o divino, agasalho deu em seu belo palácio ao magnânimo Belerofonte, tendo ambos dons hospedais, de subido valor permutado. Foi o penhor da amizade de Eneu cinturão purpurino; 220    Belerofonte lhe deu uma copa, adornada com alça, de ouro, que em casa deixei quando tive de vir para Troia. Quanto a Tideu, não me lembro, pois era criança quando ele foi para Tebas e o exército Acaio ficou destruído. Por essa antiga amizade, és meu hóspede em Argos, ao passo que me farás grato hospício se um dia eu chegar até a Lícia. Cumpre, portanto, que, em meio da pugna, um ao outro poupemos. Para matar, não me faltam Troianos excelsos e aliados, quem quer que um deus me conceda, ou quem chegue a alcançar na carreira; sobram-te Aqueus, outrossim, para a muitos privares da vida. 230    Ora troquemos as armas, porque possam todos os outros reconhecer que nós dois nos gloriamos da avita amizade.” Ambos dos carros desceram, depois de assim terem falado, e, logo, apertos de mão, como prova de afeto, trocaram.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Sua nota na página 303 | posição 4632 | Adicionado: segunda-feira, 14 de outubro de 2019 19:12:31

Brabo
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 310 | posição 4750-4754 | Adicionado: quarta-feira, 16 de outubro de 2019 11:24:49

Este, porém, nunca teve firmeza, nem nunca há de tê-la. Por isso mesmo, estou certa, há de os frutos colher dentro em breve. Mas entra, um instante sequer, e repousa sobre esta cadeira, caro cunhado, que mais do que todos suportas o peso das consequências de minha cegueira e da culpa de Páris.
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Homero - Ilíada e Odisseia (Homero)
- Seu destaque na página 328 | posição 5030-5031 | Adicionado: quarta-feira, 16 de outubro de 2019 12:43:58

Em água e terra virar se pudésseis, em vez de ficarem 100    todos sentados, assim, onde se acham, com medo e sem honra!
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